O Doutrinador | Conversamos com o criador da HQ brasileira que vai virar filme

O Doutrinador | Conversamos com o criador da HQ brasileira que vai virar filme

Por Natalie Rosa | 16 de Agosto de 2018 às 10h00
Divulgação/Downtown Filmes

A próxima edição do Geek City, evento que reúne o melhor da cultura pop na cidade de Curitiba, vai contar com a presença de Luciano Cunha, quadrinista brasileiro responsável pela HQ O Doutrinador. O personagem agora vai ser retratado nos cinemas no mês de setembro e, em 2019, também vai virar uma série de TV.

O Doutrinador começou a tomar forma na cabeça de Luciano ainda em 2008, mas somente em 2013 o projeto saiu da gaveta para ganhar as redes sociais. O personagem é um justiceiro que tem como meta matar os políticos corruptos que estão prejudicando o Brasil e os brasileiros.

Imagem: Divulgação/Downtown Filmes

Usando uma máscara de gás, capuz e vestimentas que cobrem todo o corpo, inclusive mãos e pés, o anti-herói vai a fundo para caçar suas vítimas, onde quer que elas estejam.

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A primeira publicação, feita de forma independente, se esgotou em 2014 e, logo após, Luciano se uniu ao músico e ativista Marcelo Yuka para escrever uma nova história chamada Dark Web.

Luciano Cunha, autor e criador de O Doutrinador (Foto: Divulgação)

Para entender um pouco mais de quem é esse personagem que vai ganhar as telas do cinema no mês que vem, batemos um papo com Luciano Cunha. Ele contou para o Canaltech que O Doutrinador é a sua revolta contra a classe política brasileira colocada no papel.

"Eu sempre fui muito politizado, muito revoltado, desde muito jovem, então eu tinha que externar isso de alguma maneira. A forma que eu descobri foi criando o personagem, e como a minha indignação é muito comum a outros brasileiros, a identificação das pessoas com ele foi muito forte, o que eu sempre achei que seria natural", conta o autor.

Política e polêmicas

O Doutrinador foi apresentado ao Brasil pelas redes sociais no mesmo ano em que manifestações políticas tomaram conta do Brasil e da internet, gerando um novo cenário de revolta no país. Porém, o autor diz que decidiu publicar a HQ de forma independente três meses antes do início dos protestos, coincidentemente. "Com isso o personagem ganhou muita audiência, muita publicidade. Mas o personagem não surgiu por causa das manifestações", esclarece.

Devido ao cenário da época, Luciano conta que o personagem incomodou algumas pessoas: "Eu já fui processado por um deputado federal famoso, mas não dei publicidade a isso por orientação dos meus advogados e o processo já está arquivado. Também fui censurado por alguns veículos de comunicação por causa da polêmica do personagem".

Inspirações e referências

Quem é fã de quadrinhos já deve suspeitar quais são as referências de Luciano Cunha na criação do personagem. Mas, para garantir, fomos atrás para descobrir: "Costumo dizer que O Doutrinador é uma colcha de retalhos de tanta referência. Mas, basicamente, Batman, O Justiceiro e o Rorschach, do Watchmen. Ele seria uma mistura dos três, talvez".

Cinema e televisão

O projeto de levar O Doutrinador para o cinema e para a televisão é bastante significativo e importante para um autor. Por isso, perguntamos se Luciano já sonhava com isso ou se chegou a imaginar essa hipótese:

"Sonhar a gente sempre sonha em fazer um trabalho que fique grande, mas quando eu comecei não tinha a mínima ideia de onde ia chegar, só queria externar minha revolta. Mas a partir do momento que começou a ganhar audiência na web e nas redes sociais é que começou esse namoro com o cinema".

Cartaz do filme (Imagem: Divulgação/Downtown Filmes)

O autor ainda contou como começou o processo de adaptação dos quadrinhos para as telas.

"Lá em 2013, alguns produtores e diretores de cinema começaram a me contatar. Além disso, muitos leitores e pessoas que curtiam a página comentavam nas postagens que 'isso poderia virar um filme'. Isso foi me dando segurança de que eu tinha um conteúdo bastante forte e interessante para que um dia pudesse se tornar algum filme ou série, algum produto audiovisual.

Então, isso foi me acompanhando desde o início, e, lá em 2015, finalmente conheci o Gabriel Weiner, que se tornou meu sócio e me ajudou a compactar o projeto de uma maneira que a gente pudesse apresentar a alguma produtora. A gente apresentou para a Downtown Filmes, quando realmente começou a acontecer a adaptação".

Imagem: Divulgação/Downtown Filmes

Participação nas filmagens

Perguntamos a Luciano o quanto ele participou das filmagens e se ele chega a aparecer em alguma cena, no melhor estilo Stan Lee. O autor disse que ele e o Gabriel acompanharam tudo de perto e, além de serem roteiristas do filme e da série, participaram da parte estratégica, inclusive na divulgação:

"Eu participei do set de filmagens em uma cena, não tenho certeza ainda se vai estar no filme, mas na série com certeza. Eu tenho a fala e tudo, tipo Stan Lee mesmo, foi bem legal. Eu participo de uma cena com a Nina, uma personagem importante na trama, uma hacker que trabalha em uma loja de gibis, e eu sou um cliente que entra na loja e pergunta por uma edição tal".

Quadrinhos no cinema brasileiro

Sobre o movimento dos quadrinhos brasileiros ganhando mais visibilidade no Brasil, Luciano contou de outras obras que fazem companhia a sua criação.

"Já temos o Tungstênio, filme de um quadrinho de Marcelo Quintanilha, e vamos ter a adaptação da Turma da Mônica pela primeira vez em live-action. Se O Doutrinador for sucesso, acredito que vai abrir uma porta para que as produtoras e produtores olhem o quadrinho como essa fonte tão grande de conteúdo, pois nós temos muitos talentos no Brasil".

Sucesso de vendas

Com a explosão de popularidade, as edições de O Doutrinador se esgotaram e, hoje, não é possível encontrar mais nenhum exemplar do quadrinho do anti-herói nas livrarias. Sobre isso, Luciano garantiu que novas impressões serão feitas em breve:

"Já estamos reimprimindo com algumas mudanças, vamos colocar a capa com o cartaz do filme e inserir na seção de extras novas curiosidades bacanas, como making-off, storyboard e fotos inéditas, um material totalmente inédito. Espero que todo mundo curta. Um pouco antes do lançamento do filme, essa edição já vai estar pronta, à venda nas melhores casas do ramo".

Divulgação

Faltando pouco mais de um mês para o lançamento de O Doutrinador nos cinemas, a divulgação promete ser ainda mais forte. Luciano diz que veremos muito do personagem pelas ruas, como em pontos de ônibus e metrôs, além, claro, da internet.

A visita de Luciano Cunha ao Geek City já é a segunda: "Nesse Geek City, além de contar a nossa história desde o início, vamos mostrar o trailer, uma variação do trailer com imagens inéditas e também vamos levar umas pílulas de making off para a galera, com gravação dos bastidores. Vai ser bem divertido".

Imagem: Divulgação/Downtown Filmes

Esta também será a quarta visita de Luciano a Curitiba, cidade que é sede do evento e que conta com um grande cenário de quadrinhos, inclusive bastante conhecido pelo autor, claro.

"A maioria dos artistas de quadrinhos que eu gosto são de Curitiba, adoro o trabalho do Juliano Henrique, que até está trabalhando com a gente na Guará ilustrando Os Desviantes. Tem o José Aguiar, os irmãos Costa... a cena de Curitiba é uma das mais importantes do país, tem muitos talentos. É sempre uma honra estar lá e do lado dessa galera".

Curioso? Então confira abaixo o trailer do filme, que chega aos cinemas no dia 20 de setembro:

O Doutrinador, Miguel, é interpretado por Kiko Pissolato, ao lado de um elenco de peso que conta com Du Moscovis, Marília Gabriela, Helena Ranaldi, Tainá Medina, Samuel de Assis e Tuca Andrada.

Se você vai à Curitiba para o Geek City, o evento acontece nos dias 31 de agosto e 1º de setembro na Expo Renault. Os ingressos já estão à venda.

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