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Final de Não Fale o Mal: por que o terror incomoda tanto?

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Divulgação/Universal Pictures
Divulgação/Universal Pictures

Lançado em 2024, Não Fale o Mal desembarcou recentemente no catálogo da Netflix para trazer muito desconforto e tensão social. Estrelado por James McAvoy (Fragmentado), o longa fez barulho na época de sua estreia por apostar em um terror psicológico cheio de camadas e um final perturbador.

Remake americano do filme de 2022 do diretor dinamarquês Christian Tafdrup (Uma Mulher Terrível), Não Fale o Mal tem uma premissa simples, mas intrigante: o que você faria se um casal que acabou de conhecer te convidasse para passar um fim de semana na fazenda isolada deles?

Se você foi avisado pela sua mãe para nunca confiar em estranhos, a ideia de se hospedar na casa de completos desconhecidos pode parecer uma baita maluquice. Mas não foi isso que Ben e Louise Dalton (Scoot McNairy e Mackenzie Davis) pensaram em Não Fale o Mal quando um casal britânico simpático fez o inusitado convite.

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Tratando-se de um filme de terror, é claro que o que parecia ser um fim de semana tranquilo logo se transforma em um verdadeiro pesadelo à medida que os anfitriões passam a apresentar comportamentos moralmente duvidosos. E é justamente esse estranhamento que resulta em uma conclusão incômoda.

Atenção: esta matéria contém spoilers de Não Fale o Mal (2024).

Final explicado de Não Fale o Mal

Para quem caiu de paraquedas por aqui após assistir ao filme de 2024 na Netflix, é importante ressaltar que o final do longa do diretor James Watkins (Sem Saída) possui algumas diferenças em relação ao original.

Embora a premissa de ambos permaneça a mesma por boa parte do filme (com algumas alterações no meio do caminho, como nacionalidade dos personagens, por exemplo), a tensão entre os casais explode de maneiras diferentes na tela. Vamos focar apenas no longa norte-americano, por ora.

Se você bem se lembra, o caos de Não Fale o Mal desabrocha a partir da cena de um conflito durante o almoço. A verdade por trás do comportamento excêntrico de Paddy (James McAvoy) e Ciara (Aisling Franciosi), o casal simpático que convida os Dalton para se hospedarem na fazenda, é que os dois costumam atrair famílias para o local com um objetivo perverso: matar os adultos para roubar seus pertences e sequestrar as crianças para obrigá-las a ajudar na tarefa de enganar novas vítimas.

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A grande revelação é feita por Agnes (Alix West Lefler), a filha do casal Dalton, quando Ant (Dan Hough), o menino que se passe pelo filho de Paddy e Ciara, mostra o que estava trancado em um celeiro da propriedade. Lá, estão guardados registros de Paddy e Ciara com outras famílias, indício claro que os Dalton serão os próximos a sofrer as consequências.

Uma vez que todos percebem quais são as reais intenções dos anfitriões, Paddy e Ciara começam a agir agressivamente para impedir que a família fuja da propriedade. Inicia-se então uma perseguição intensa pela fazenda, enquanto Ben e Louise tentam proteger a filha.

No final de tudo, Ciara tem um fim trágico após cair do telhado da casa durante o ataque. Paddy, por sua vez, resiste para concluir seu objetivo, mas acaba enfraquecido por uma seringa que seria usada na família graças a Agnes. Por fim, Ant mata Paddy, libertando-se do pesadelo que vivia no local e indo embora da propriedade com a família Dalton.

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Passividade como vilã

Embora o final do remake de Não Fale o Mal ofereça um vislumbre de esperança e recomeço, o longa choca o público por não se apoiar em monstros sobrenaturais para explorar a maldade humana.

Mergulhando no lado psicológico da coisa, a trama mostra como a passividade pode levar pessoas a aceitarem situações absurdas para evitar conflitos. No caso dos Dalton, foi justamente ter aceitado, mesmo sem tanta convicção interna, o convite para se hospedar na casa de um casal que não conheciam que arriscou a vida da família

O longa ainda revela como a manipulação pode se aproveitar da incapacidade de alguém em impor limites, principalmente quando não queremos parecer grosseiros ou mal-educados. O desconforto com a produção vem justamente dessa passividade para não ser inconveniente, algo que no filme ganha proporções perturbadoras.

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