Crítica | "Maradona no México" relembra por que Diego é o mais humano dos deuses

Por Douglas Ciriaco | 25 de Abril de 2020 às 19h10
Divulgação/Netflix
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Diego Armando Maradona. Provavelmente você já ouviu esse nome, mesmo que não se considere um fã de futebol. Certo é que a figura de Maradona normalmente não passa sem chamar a atenção e a série documental Maradona no México (disponível na Netflix) é um ótimo exemplo disso.

Em sete episódios, a série documental narra a aventura de Diego no comando do Dorados, time pequeno que disputa o equivalente à Série B do campeonato mexicano. O clube é de Culiacán, Sinaloa, cidade do sudeste do México que basicamente é conhecida pelo mundo por ser a sede do mais famoso cartel de drogas do planeta — o Cartel de Sinaloa, comandado por Joaquín “El Chapo” Guzman.

Então, é este o pano de fundo da produção original da Netflix que mostra a breve, porém intensa jornada de Maradona à frente do clube da cidade. Inexpressivo no cenário nacional, o Dorados ocupava a lanterna da divisão de acesso quando o craque argentino assume o boné de treinador.

De prancheta na mão, Diego causa uma pequena revolução no clube e isso vai se desenrolando, com altos e baixos, ao longo de todo o seriado. O grande trunfo da produção, porém, é conseguir captar exatamente aquilo que marcou toda a vida do melhor jogador da Copa do Mundo de 1986: sua enorme presença onde quer que esteja.

Maradona vai à loucura após um triunfo com o Dorados. (Imagem: Divulgação/Netflix)

Em vários momentos, o histórico de ex-usuário de cocaína de Diego volta à tona, mas nunca de forma pejorativa ou caricata: pelo contrário, a série é muito feliz em mostrar isso como uma página virada na vida do ex-jogador e até usa isso como uma espécie de trampolim para o sucesso de Maradona em Sinaloa.

O tempo todo, o seriado deixa claro como a passagem de Diego pela cidade resgata o orgulho e a autoestima dos moradores da região, estigmatizados pela existência do cartel de drogas e por ser uma das cidades mais violentas do México e do mundo. Neste cenário, a presença de um astro com a grandeza de Maradona ganha ares quixotescos.

E o destempero de El Pibe D’oro também aparece ali: ele perde a cabeça, responde à xingamentos de torcedores rivais, é expulso por besteira em uma final de campeonato, dá bronca em crianças que efusivamente pediam autógrafos… Enfim, mostra Maradona sendo quem ele sempre foi, para o bem e para o não-tão-bem-assim.

Maradona virou divindade para torcedores argentinos e de outras partes do mundo ao ser campeão do mundo no México, em 1986. (Imagem: Reprodução/Netflix)

Não cabe aqui dar spoiler sobre o desfecho da história — mesmo que seja um documentário e os fatos estejam todos aí, a um Google de distância de qualquer um de nós —, mas a forma como a passagem de Diego pelo México termina não deixa de ser triunfal. Com drama, lágrimas e um baita discurso que provavelmente vai ecoar nos corações de seus comandados e de todo o povo de Sinaloa.

Um deleite para amantes do futebol e, em especial, da figura controversa do eterno 10 do Napoli e da Seleção Argentina, Maradona no México acerta especialmente por retratar de forma límpida e clara como Diego Armando Maradona foi e continua sendo o mais humano dos deuses do futebol. Deixando polêmicas desnecessárias de lado e ressaltando sempre o lado humano do craque, a série é um baita acerto da Netflix.

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