Como o reboot de Batman pode redefinir o super-herói nos cinemas?
Por Diego Corumba • Editado por Jones Oliveira |

Após o sucesso de Superman (2025) de James Gunn, o mundo está curioso para saber como Os Bravos e Destemidos adaptará a jornada do Batman. Apenas nos últimos 40 anos, foram dez longas — com a Liga da Justiça (2017) incluída no pacote.
Próximos do reboot de uma das figuras mais emblemáticas da DC Comics (não antes da 11ª obra, sequência da história contada por Matt Reeves), muitos se questionam qual será a diferença deste para as demais aventuras vistas nas telonas.
Com Tim Burton e Joel Schumacher, vimos uma era mais colorida e voltada para o humor. Já nas mãos de Christopher Nolan, recebemos uma versão realista e “high-tech” do super-herói. Pela visão de Zack Snyder, Bruce Wayne era mais experiente, mas também agressivo e sem esperança.
Por fim, tivemos o Batman de Reeves — que adota um cenário “noir”, com investigações e uma cidade de Gotham tomada pelo crime. Isso sem mencionar as adaptações live-action de séries antigas ou as que foram vistas no Arrowverse e Jovens Titãs. Ou seja, existem histórias demais e a dúvida é: o que sobra?
Batman em Os Bravos e Destemidos
A ideia de James Gunn para o seu cruzado encapuzado é reinventar o personagem do zero, como vimos com o próprio Superman. Para apresentá-lo de uma forma adequada, primeiro o diretor quer trazer de volta um elemento deixado de escanteio há muito tempo: Robin.
Ele é mencionado em alguns longas, há sinais de que existiu um parceiro do super-herói, mas não vemos a dupla desde o desastre cinematográfico de 1997. Naquela produção, inclusive, Dick Grayson já era um jovem adulto e suas decisões não tinham o mesmo peso de sua versão infantil.
No entanto, o que Gunn trará para Os Bravos e Destemidos é justamente um Robin criança. Além disso, não será qualquer garoto, mas sim Damian Wayne — filho biológico do super-herói com Talia Al Ghul. Ou seja, não veremos uma adoção súbita de algum órfão, mas sim a presença de uma figura familiar.
Isso não significa que ele será o primeiro ou o único, já que ninguém negou que Dick, Jason, Tim e outros fizeram parte de sua vida em algum momento. No entanto, traz uma dinâmica nunca antes vista nos cinemas: Bruce Wayne precisa dividir suas tarefas como vigilante e pai, literalmente ao mesmo tempo.
Para concluir, também não é “qualquer” filho. Damian Wayne foi treinado pela Liga dos Assassinos, o que traz um desafio maior. Com ele, a máxima de “bandido bom é bandido morto” é levada ao pé da letra, mas isso não combina muito bem com o ideal de super-heróis que vemos na DC atual.
O rosto de Batman
Ainda que James Gunn esteja na liderança do projeto, quem vai dirigir a obra será Andy Muschietti (franquia It). Seu principal trabalho será fazer a dupla Batman e Damian funcionar bem nas telas — algo que dependerá muito da forma como os atores darão vida aos personagens.
Claro que muito é definido pela forma como eles querem representar Gotham no DCU, o vilão que enfrentarão e como eles querem conectar tudo ao universo compartilhado. Porém, se existe algo que realmente chama a atenção é em como será a dupla dinâmica no longa e os atores que interpretarão os heróis.
Nas HQs, Damian não suporta a “caretice” de Bruce, o que leva a ações impulsivas e ódio desmedido pela paciência que seu pai exige. Já o Batman precisa não apenas cuidar de seu filho enquanto combate o crime, mas também ensiná-lo como usar suas habilidades para o “bem maior”.
É nisto que está o pulo do gato. Não é uma trama leve, como a de Superman. Porém, trazer um roteiro mais pesado entre pai e filho pode não funcionar tão bem nas telonas. O equilíbrio certo tem de ser encontrado, já que será o pilar principal para a história se desconectar do passado e entrar na “nova fase” da DC.
Além disso, o próprio título já mostra que Muschietti e James Gunn têm noção disso. Os Bravos e Destemidos é uma série de HQs que mostram team-ups do Batman com outros super-heróis —- o que significa que veremos como a sua conexão a todo universo compartilhado será vital para o personagem.
Dito isso, um ator com o mesmo carisma de David Corenswet deve ser considerado para a obra. Contudo, não para mostrar esperança à audiência ou para o “mundo” como o Superman, mas sim para o filho. Como o ator mostrará a tentativa de Bruce Wayne de vencer os seus traumas para garantir um “futuro melhor”?
Assim como Damian deve ser representado por um jovem versátil, capaz de trazer uma inocência misturada com a revolta adolescente. Com a pitada assassina de sua essência, isso pode dar um tempero ainda maior à trama. Afinal de contas, nem seu próprio pai está seguro por perto.
Único ou mistura de todos?
A DC nunca tentou misturar Batman com os demais personagens de uma forma prolongada. A única tentativa existente em live-action foi com o ator Ben Affleck — que lutou contra o Homem de Aço em Batman Vs. Superman (2016) e passou parte de Liga da Justiça (2017) em segundo plano.
Ou seja, chegou a hora de definirem muitas coisas sobre o Homem-Morcego e a forma como ele tem de ser apresentado. Se Superman: O Homem do Amanhã ajudará a preparar este terreno ou outra obra do DCU, segue incerto. Porém, as expectativas são altas para ver como ele vai funcionar dentro da saga.
É possível que Andy Muschietti e James Gunn tentem uma abordagem única para mostrar uma versão singular do Batman, ou misturem alguns elementos — como a tecnologia vista nos longas do Nolan ou as investigações de Reeves. Ainda assim, ele deve parecer inédito e inexplorado para não haver amarras.