Publicidade

Ventilador de teto ou ar-condicionado no 23ºC: qual gasta menos luz?

Por  | 

ventilador de teto x ar-condicionado
Imagem criada com IA

Nas noites mais quentes do verão, a disputa pelo controle remoto costuma terminar em uma dúvida que aparece na conta de luz: vale mais a pena deixar o ventilador de teto ligado até amanhecer ou dormir com o ar-condicionado regulado a 23 °C? A resposta parece óbvia, mas os números escondem diferenças importantes entre sensação térmica, refrigeração real e método de medição.

Continua após a publicidade

O ventilador apenas movimenta o ar, enquanto o ar-condicionado reduz a temperatura e a umidade do ambiente. Ainda assim, comparar o consumo dos dois equipamentos exige olhar além da potência indicada na embalagem: entram na conta o tempo de uso, a tecnologia do aparelho, o tamanho do quarto e muito mais.

A conta do ventilador

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Usando dados do Inmetro de exemplo, podemos dimensionar o gasto. O ventilador de teto Aliseu Nano Tech, em 127 V e velocidade alta, tem consumo informado de 2,60 kWh por mês, considerando uma hora diária de uso. Se funcionar oito horas por noite durante 30 dias, o resultado sobe para 20,8 kWh mensais. Em uma tarifa hipotética de R$ 1 por kWh, seriam R$ 20,80 ao fim do mês.

O consumo muda conforme modelo, velocidade, tamanho, luminária e tensão. A recomendação é conferir a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia do aparelho ou a tabela PBE para calcular as horas de uso. Para esse cálculo, seguiremos com esse exemplo, e usamos uma cidade em cada região brasileira para estimar o valor em reias na conta de luz.

Considerando as cidades selecionadas, os 20,8 kWh mensais representariam os seguintes custos:

  • Curitiba (R$ 0,85/kWh): R$ 17,68 por mês
  • São Paulo (R$ 0,95/kWh): R$ 19,76 por mês
  • Brasília (R$ 0,83/kWh): R$ 17,26 por mês
  • Fortaleza (R$ 0,97/kWh): R$ 20,18 por mês
  • Manaus (R$ 0,84/kWh): R$ 17,47 por mês

A diferença entre as cidades ocorre exclusivamente por causa da tarifa considerada. O consumo estimado do ventilador permanece em 20,8 kWh por mês em todos os casos.

O cálculo para o ar-condicionado

Do outro lado do duelo, um split inverter de 12 mil BTU/h (AUF-12COFH-IDU/ODU) traz consumo anual declarado de 402 kWh e IDRS de 7,08, na classe A. No ciclo normalizado de 2.080 horas anuais, isso equivale a 0,193 kWh por hora. Essa média é uma referência de laboratório, não uma leitura instantânea de potência do equipamento em cada minuto de funcionamento.

Continua após a publicidade

Em uma rotina de oito horas noturnas por 30 dias (ou 240 horas mensais), a projeção chega a 46,4 kWh. O custo seria de R$ 46,40, com o ar consumindo cerca de 2,2 vezes o que o ventilador do exemplo consome. Considerando as mesmas tarifas das cinco cidades, os 46,4 kWh mensais representariam os seguintes custos:

  • Curitiba (R$ 0,85/kWh): R$ 39,44 por mês
  • São Paulo (R$ 0,95/kWh): R$ 44,08 por mês
  • Brasília (R$ 0,83/kWh): R$ 38,51 por mês
  • Fortaleza (R$ 0,97/kWh): R$ 45,01 por mês
  • Manaus (R$ 0,84/kWh): R$ 38,98 por mês

Na comparação direta, o ar-condicionado ficaria entre R$ 18,35 e R$ 24,32 mais caro por mês que o ventilador, dependendo da cidade. Em São Paulo, por exemplo, seriam R$ 44,08 contra R$ 19,76, uma diferença de R$ 24,32 mensais.

Vale reforçar que a comparação não coloca equipamentos idênticos em disputa. O ventilador custa menos porque não remove calor do ambiente. Para quem tolera uma noite quente com ar circulando, ele é claramente a opção mais barata. Para quem precisa de temperatura estável e menor umidade, o ar oferece conforto superior com gasto maior.

Continua após a publicidade

O Inmetro testa o ar em 23 °C?

Não. A informação importa: 23 °C é uma regulagem comum, mas não é a condição específica do ensaio de etiqueta. Para aparelhos inverter, a metodologia do Inmetro prevê temperatura interna de 27 °C de bulbo seco e 19 °C de bulbo úmido. No lado externo, os testes incluem condições de 35 °C e, opcionalmente, 29 °C.

O resultado é o Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal, o IDRS, e uma estimativa anual de consumo. Por isso, os 402 kWh do exemplo servem para comparar eficiência entre modelos, não para prever com precisão o consumo de um quarto regulado a 23 °C. Na vida real, isolamento do ambiente, temperatura externa, vedação, manutenção e dimensionamento do aparelho pesam na fatura.

Continua após a publicidade

Veredito

Para economizar, o ventilador de teto vence. Para resfriar de verdade, o ar-condicionado é mais completo para conforto, porém mais caro. A solução intermediária é usar o ar em temperatura moderada, ativar a função Sleep e manter o ventilador em baixa velocidade. Assim, é possível reduzir a sensação térmica sem exigir tanto do compressor durante toda a madrugada.

Antes de escolher, vale observar o objetivo da noite. Em dias apenas abafados, quando o quarto já está relativamente fresco, o ventilador pode resolver o desconforto com impacto menor na fatura.

Em ondas de calor ou em regiões muito úmidas, ele deixa de ser suficiente: movimenta o ar quente, mas não altera a temperatura do ambiente. Nesses casos, o ar-condicionado passa a ser uma escolha de conforto e saúde do sono, não apenas de conveniência.

Continua após a publicidade

A economia também depende de uso inteligente. Manter portas e janelas fechadas, limpar filtros, escolher um aparelho dimensionado para o cômodo e evitar temperaturas excessivamente baixas reduzem o esforço do compressor.

A combinação entre ar-condicionado em ajuste moderado e ventilador em baixa velocidade pode ser especialmente vantajosa: o vento aumenta a sensação de frescor e permite elevar alguns graus no termostato, sem abrir mão de uma noite mais confortável.