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Chuveiro elétrico de 7.500 W só na energia solar: quantas placas você precisa?

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Danilo Berti/Canaltech
Danilo Berti/Canaltech

O chuveiro elétrico já é conhecido como um dos equipamentos que mais consomem energia na casa dos brasileiros. Quando falamos de um modelo de 7.500 W, bastante comum em regiões frias e em residências que buscam maior conforto térmico, a dúvida surge: dá para usar esse chuveiro apenas com energia solar?

A resposta é sim, mas como em outros projetos fotovoltaicos, isso exige planejamento, cálculos corretos e atenção especial à potência instantânea exigida pelo equipamento. O Canaltech fez as contas e aqui respondemos quantas placas seriam necessárias para isso:

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Entendendo o consumo do chuveiro de 7.500 W

Um chuveiro de 7,5 kW consome mais energia em menos tempo do que quase qualquer outro equipamento doméstico. Diferente do ar-condicionado, que funciona por horas, o banho é curto, mas extremamente intenso em demanda energética.

Para conduzir os cálculos, vamos adotar um cenário realista de 2 banhos por dia de 10 minutos cada, totalizando 20 minutos diários de uso.  A energia consumida no dia pode ser representada por: 7,5 kW × 0,33 h ≈ 2,5 kWh.

Em casas com mais moradores, esse número cresce rápido. Em uma família com quatro pessoas, o consumo pode facilmente chegar a 5 kWh por dia só com chuveiro. Com esses números em mãos, partimos das premissas técnicas de painéis solares de 400 Wp e um fator de desempenho de 0,75.

Por fim, temos as horas-pico de sol (PSH), ou seja, o tempo em que os raios solares se encontram com potência máxima. Esse número varia por região, então usaremos:

  • Fortaleza — 5,5 h/dia;
  • Brasília — 5,0 h/dia;
  • Manaus — 4,5 h/dia;
  • São Paulo — 4,0 h/dia;
  • Curitiba — 3,5 h/dia.

Quantas placas solares seriam necessárias?

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Considerando o cenário de dois banhos por dia (cerca de 2,5 kWh diários), o sistema precisa gerar essa energia dentro das horas de sol — lembrando que, na prática, muitos banhos acontecem à noite, então será necessário armazenar ou compensar a geração. Com isso, temos:

  • Fortaleza → 0,6 kWp, equivalente a 2 painéis de 400 Wp;
  • Brasília → cerca de 0,67 kWp, também 2 painéis;
  • Manaus → aproximadamente 0,74 kWp, ainda 2 painéis;
  • São Paulo → 0,83 kWp, variando entre 2 e 3 painéis;
  • Curitiba → perto de 1,0 kWp, exigindo cerca de 3 painéis;

Em resumo: apesar da potência elevada do chuveiro, a quantidade de placas não é tão grande porque o tempo de uso é curto. O maior desafio está em outro ponto do projeto. O engenheiro Rogers Demonti explicou ao Canaltech os pormenores desse cenário hipotético.

“Eu sempre digo isso em aula: usar energia solar fotovoltaica para alimentar chuveiro elétrico é quase um contrassenso. Pensar em energia solar para um chuveiro elétrico pode até funcionar, mas economicamente não faz sentido para a maioria das pessoas”, explica.
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O verdadeiro desafio: potência instantânea

Enquanto a energia diária necessária não é tão alta, o pico de potência é enorme. Um sistema solar precisa não apenas gerar energia, mas também ser capaz de fornecer 7,5 kW instantâneos quando o chuveiro é ligado.

Isso exige um inversor apropriado, cabeamento, proteções e projeto elétrico capaz de suportar a demanda e, se o banho for à noite, uma bateria para suportar essa descarga intensa. Para nosso cenário de referência, temos cerca de 2,5 kWh úteis por dia, exigindo aproximadamente 4 kWh de bateria bruta, considerando perdas. Para famílias maiores, esse número pode dobrar facilmente.

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“Quando falamos de calor, existem alternativas muito melhores do que transformar energia solar em elétrica para depois virar calor de novo. Se eu quero calor, é muito mais eficiente usar diretamente um coletor solar do que converter energia solar em elétrica e depois em calor no chuveiro” explica Rogers.

Vale a pena?

Do ponto de vista técnico, sim: é totalmente possível rodar um chuveiro elétrico de 7.500 W só com energia solar. Já do ponto de vista prático, há considerações importantes: o custo do inversor aumenta bastante e o sistema precisa ser muito bem dimensionado.

Dessa forma, acaba compensando mais planejar a geração para toda a casa e não apenas para o chuveiro. Por mais que seja possível, os números provam que, na prática, é um projeto inviável.

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