Aulas online e ao vivo: uma adaptação da pandemia que deu certo

Aulas online e ao vivo: uma adaptação da pandemia que deu certo

Por Colaborador externo | Editado por Rui Maciel | 23 de Julho de 2021 às 10h00
mohamed Hassan/Pixabay

*Por Ugo Roveda e Davis Peixoto

Desde 2008, o trabalho remoto é uma realidade no mercado de TI, e vale trazer essa expertise do mercado de trabalho para aulas online, especialmente na área de tecnologia. Quando as instituições de ensino se depararam com a obrigatoriedade das aulas 100% online, devido à pandemia e questões do isolamento social, a adaptação precisou acontecer de forma muito ágil.

Diferente das aulas de EAD [ensino a distância] - gravadas e com limitação da interação -, nas quais o aluno ainda precisa listar suas dúvidas para que possam ser respondidas em um outro momento, as aulas ao vivo garantem o suporte em tempo real. A interação é sempre muito presente e fundamental no dia a dia de aprendizado.

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Uma das grandes barreiras da distância, logo no início da pandemia, foi a comunicação. Portanto, o primeiro passo é estruturar uma comunicação interna com vários pontos de contato. Plataformas como Zoom, Slack e outras opções individuais são essenciais para prestar o suporte necessário aos alunos. Nessa primeira etapa, a performance dos estudantes deve ser observada, pois em ambientes mais ruidosos, o desempenho tende a cair, enquanto que em ambientes mais tranquilos, eles tendem a performar muito melhor.

Vale ressaltar que pausas regulares são bem-vindas, e que o momento ao vivo deve durar entre uma hora e uma hora e meia, no máximo, para que a atenção não seja dissipada facilmente. É importante manter contato ativo com os alunos, estabelecer uma rede de mentoria para garantir que eles consigam extrair o melhor do curso e aperfeiçoar o aprendizado.

As aulas ao vivo, sem dúvida, são mais cativantes, pois a atenção é voltada para o momento. A interação flui de forma muito positiva, visto que muitos conseguem tirar as dúvidas em comum de forma imediata, estimulando toda a turma a se expressar, aumentando o engajamento. Mesmo assim, vale manter um canal de suporte individualizado para os que não se sentirem à vontade durante a aula.

Outra vantagem do ao vivo é que as pessoas não se sentem sozinhas. Com a turma toda reunida, há um senso de pertencimento e de comunidade, que os auxilia a ter mais resiliência e não desistir do curso. Esse é também um dos desafios, manter a turma unida. Para tanto, algumas dinâmicas são indicadas para que se conheçam e possam identificar interesses em comum.

Assim, pontos de conexão são criados e subgrupos estabelecidos a partir de iniciativa dos próprios alunos, com jogos online, campeonatos de xadrez, happy hour virtual, entre outras ações, através de plataformas como Discord e Telegram.

Além disso, adotar metodologias ágeis e simular o mercado de trabalho, como o dia a dia de uma startup, por exemplo, é um grande diferencial para as instituições de ensino. Tais iniciativas aproximam os alunos da realidade, permitindo uma transição muito mais tranquila e longe de surpresas.

Na nossa visão, a tendência é de que as aulas sejam 100% online, especialmente na área de tecnologia, onde o ensino alcançará mais pessoas. É provável que grandes empresas como Google e Facebook, em breve, estejam de volta às atividades presenciais, ou semipresenciais. Mas o mercado de TI daqui para frente será essencialmente remoto, tanto pelo corte de custos empresariais quanto pela atuação de qualquer lugar. Um desejo de muitos que anseiam sair das grandes cidades, viver no interior, ou mesmo em outros países.

*Ugo Roveda é cofundador e COO da Kenzie Academy Brasil, e Davis Peixoto é instrutor sênior.

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