Final Fantasy XV é bagunçado e caótico, mas ainda é um excelente jogo

Por Durval Ramos

* Direto da E3, em Los Angeles (Califórnia)

Talvez por ter demorado quase 10 anos para ser lançado, Final Fantasy XV tenta ser o maior jogo que você já viu na sua vida. Quase como um pedido de desculpas pelos atrasos que se arrastaram pela última década, a Square Enix parece estar disposta a fazer com que o game seja grandioso em tudo aquilo que se propõe. De visuais incríveis a mapas enormes, tudo ali é superlativo. Incluindo a demonstração presente aqui na E3.

A demo disponível no estande da Square é a mesma que vimos durante a conferência da Microsoft, em que Noctis e o restante de seu grupo precisam enfrentar um titã. E, corroborando essa impressão de que tudo por aqui precisa ser grande, temos um inimigo colossal que mal cabe na própria tela, o que dá origem a um combate que é realmente de tirar o fôlego — para o bem e para o mal.

Um sistema em evolução

Essa não é a primeira demo de Final Fantasy XV que vemos. Ao longo do último ano, o jogo recebeu algumas pequenas versões para teste que nos permitiram ver um pouco de como ele está ficando. Ainda é algo pequeno, mas o suficiente para mostrar que a série segue por um bom caminho.

Final Fantasy XV

E o ponto que mais chama a atenção ao longo dessas demonstrações é o quanto o sistema de combate vem sendo refinado. Desde a primeira versão, ainda bastante confuso, ao que vimos aqui na E3, fica claro o quanto Final Fantasy XV vem sendo azeitado pouco a pouco para se tornar o título que os fãs esperam. Desta vez, temos uma mecânica bastante simples baseada no uso do próprio D-Pad, que permite que o jogador troque de arma a qualquer momento do combate, podendo, inclusive, alternar no meio de um combo para gerar efeitos mais diversos.

Pode parecer uma mudança sutil, mas que faz toda a diferença em relação ao que foi mostrado na demo Platinum, lançada há alguns meses. Nela, o sistema de combate estava tão simplificado que se resumia apenas a apertar o mesmo botão várias vezes até que seu inimigo caísse. Desta vez, no entanto, você percebe a necessidade dessa alternância e isso mostra que Final Fantasy XV não abriu mão de seu caráter estratégico.

Por outro lado, as coisas ainda seguem bem caóticas. Por mais que você seja um velho fã da série, vai se sentir perdido com todo o show pirotécnico dos confrontos, principalmente quando Noctis começa a se teleportar de um lugar para outro ou fazer com que suas espadas apareçam e sumam de suas mãos a todo instante. E, bem, é aqui que as coisas começam a encrencar um pouco mais.

Final Fantasy XV

De frente com o titã

A demonstração desta E3 começa com Noctis e seu time em um longo corredor rochoso. Um pouco mais à frente, um grupo de soldados os aguardam para um confronto. Nada muito complicado, estando presente ali apenas para fazer com que o jogador se habitue às mecânicas de batalha e se prepare para o que vai encontrar um pouco mais à frente.

Tão logo nos deparamos com o titã, é possível perceber que ele possui algum tipo de vínculo com o herói. Não há qualquer explicação ou tentativa de introduzir o contexto — algo que só devemos descobrir quando o game for realmente lançado —, mas vemos que a presença do gigante afeta a cabeça do próprio Noctis. Porém, isso não é empecilho para que ele o enfrente.

É aqui que começamos a sentir um pouco mais os problemas de Final Fantasy XV. Como foi possível perceber na conferência da Microsoft, o titã é realmente grande. Muito grande mesmo, do tipo que não cabe na tela. Vemos apenas alguns pedaços de seu corpo aqui e ali. E toda essa estatura descomunal acaba fazendo com que a câmera do jogo simplesmente enlouqueça, deixando o jogador bem perdido no meio de tanta explosões e efeitos luminosos.

O jogo até tenta ajudá-lo em diversos momentos. Quando um ataque está por vir, por exemplo, a câmera centraliza na mão da criatura e mostra que é hora de realizar um bloqueio para, então, esquivar. Porém, na maioria das vezes, você fica bastante perdido em meio a tudo o que está acontecendo.

Parte desse sentimento de confusão está na habilidade de teletransporte que Noctis usa para fugir dos ataques ou alcançar pontos estratégicos. É um efeito bem bacana, é verdade, mas que deixa o jogador ainda mais perdido. Tanto que não é raro você se perder e ficar pulando de um lado para o outro enquanto tenta acertar o titã. Mais do que isso, saltos muito altos podem fazer com que o protagonista sofra muito dano ao cair, além de deixa-lo vulnerável para um ataque do gigante.

Esses problemas de câmera e o excesso de efeitos visuais são pontos que já preocupam os fãs há algum tempo e que apenas se acentua por aqui. Quase como uma herança de Kingdom Hearts, tudo é muito pirotécnico e acrobático, o que acaba deslocando o jogador da ação propriamente dita. Porém, mesmo com tudo isso, esses pontos estão longe de fazer com que Final Fantasy XV perca seu brilho.

Tanto que, quando você se acostuma com todo esse caos e passa a entender o que está acontecendo, as coisas ficam bem mais simples. E realmente é muito prazeroso ver quando Noctis congela a mão do inimigo para, junto de seus aliados, destroçá-lo em diversos pedaços.

Assim, no fim das contas, a demo da E3 de Final Fantasy XV apenas reforça a sensação de que o jogo quer realmente ser maior em tudo o que se propõe a fazer, mesmo que acabe tropeçando um pouco para isso. Ele é caótico, bagunçado e pode deixar alguns jogadores perdidos em meio a tanta pirotecnia. Porém, por trás desse show de luzes e câmeras dançantes, ainda há um excelente jogo.