Walmart testa uso de motoristas autônomos para entregar mercadorias

Walmart testa uso de motoristas autônomos para entregar mercadorias

Por Felipe Demartini | 06 de Setembro de 2018 às 17h00
Jessica Wohl

Todo motorista de aplicativo já transportou mercadorias no lugar de passageiros, apesar de essa não ser uma alternativa vista com olhos muitos bons. O Walmart, entretanto, deseja transformar esse tipo de uso em um negócio, com um projeto chamado Spark Delivery, que utiliza carros particulares e condutores autônomos para realizar entregas de supermercado nos Estados Unidos.

A ideia do Walmart é concorrer com o Amazon Flex, de Jeff Bezos, que já possui uma frota própria para entregas desse tipo. No caso do Spark Delivery, o trabalho está sendo feito junto a uma empresa chamada Delivery Drivers Inc., que já trabalha com essa finalidade e, agora, empresta sua infraestrutura, sistema, serviços e, principalmente, seu rol de motoristas cadastrados para atuarem na rede.

Seria a solução para um problema que a companhia vem enfrentando há anos, com diversas iniciativas consideradas fracassadas ou com resultados abaixo do esperado. Para encarar a chamada “última milha” — o caminho entre uma loja ou centro de distribuição até a casa do cliente —, o Walmart já fez parcerias com empresas locais de frete e até nomes como Uber e Lyft, seja em testes ou serviços efetivamente implementados. Além disso, também ofereceu pagamentos extras para funcionários que desejassem realizar serviços de entrega em suas comunidades após o fim de seu turno de trabalho. Nenhuma das ideias, entretanto, teve a performance desejada.

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Ainda assim, o Walmart mantém seu cronograma original de atender 100 cidades americanas, o que constitui cerca de 40% da população do país, com um serviço de delivery de compras até o final do ano. Hoje, a empresa afirma já estar presente em 50 mercados, em grandes cidades como Atlanta, Denver, Chicago, Miami e Seattle, com a parceria com motoristas autônomos representando, esperam todos os envolvidos, um grande passo nessa expansão.

É, também, uma forma de terceirizar responsabilidades como o recrutamento, checagem de antecedentes, pagamentos e compromissos contábeis sempre envolvidos em operações desse tipo. Tudo isso fica nas mãos da Delivery Drivers, enquanto o Walmart apenas realiza a logística de selecionar um motorista, entregar a encomenda e garantir que ela chegue até a porta do cliente.

O Walmart confirmou oficialmente a realização dos testes e ainda afirmou que a plataforma deve ser um negócio vantajoso para quem, hoje, dirige de forma autônoma. A expectativa é de ganhos de cerca de US$ 20 por hora, além de auxílio de custo para combustível. São características que superam a oferta da Amazon, que paga de US$ 18 a US$ 25 por hora aos condutores, mas exige que eles arquem com os custos de gasolina e manutenção.

Os testes, segundo a varejista, estão acontecendo nas cidades de Nashville e Nova Orleans, com previsão de expansão para novas áreas nos próximos meses. Não se sabe quanto, nem se o Spark Delivery será aplicado nacionalmente e, principalmente, em outros países do mundo. Nas cidades em que não possui serviços de entrega dessa categoria, o Walmart reforça seu compromisso de ter lojas a, no máximo, 16 quilômetros do consumidor. Essa é uma verdade, afirma a companhia, para 90% da população americana.

Fonte: Reuters

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