Brasil e EUA negociam acordo para estimular comércio nacional no exterior

Por Wagner Wakka | 25 de Março de 2019 às 09h33
Divulgação

O Brasil e Estados Unido estão em negociação para estimular a venda de produtos nacionais no país norte-americano. No último dia 21 de março, o gerente do Aeroporto Internacional de Miami-Dade, Emir Pineda, se reuniu com Felipe Dellacqua, Presidente da Associação Brasileira de E-commerce Cross-Border (ABRASECB) e VP de vendas da multinacional brasileira de tecnologia VTEX, para discutir o panorama dos negócios entre Miami e o Brasil e os planos de expansão.

A proposta principal do encontro foi discutir questões alfandegárias entre os dois países, como a liberação de produtos comprados eletronicamente por brasileiros em sites nos EUA. Para isso, eles lançaram a proposta do Compra Fora, sistema que já está em funcionamento desde fevereiro e que permite essa liberação por conta de uma parceria entre o Aeroporto de Miami e os Correios.

Em um mês e meio de ação, houve aumento de 2 mil pacotes enviados para o Brasil para 25 mil. Segundo Pineda, o aumento foi tanto que o local em que estes produtos são armazenados será triplicado para dar conta do montante.

Tal negociação, contudo, deve ter uma contrapartida. A reunião também trouxe um novo projeto, agora chamado de Venda Fora. Assim como o primeiro, este tem o objetivo de estimular o comércio entre os dois países, mas desta vez com a venda de produtos brasileiros no exterior.

Para isso, o aeroporto pode contar com produtos livres de taxas, estimulando a compra com preços mais em conta. Segundo Pineda, as negociações deste projeto já estão em fase adiantada.

O especialista em internacionalização de negócios em e-commerce, Felipe Dellacqua, aponta que a medida deve equilibrar o acordo, criando uma via de mão dupla para a negociação.

“É importante destacar que enquanto as empresas nacionais deixarem de olhar o mercado global como uma oportunidade, ficarão restritas ao Brasil e à sua volatilidade econômica e complexidade fiscal e tributária. Portanto, é hora de pensar não somente no cross border, que é essa venda de fora para dentro, mas também em internacionalizar o varejo brasileiro por meio do e-commerce. Potencial para isso existe, e muito. A internet é global, por que se limitar ao Brasil? E o Venda Fora pode ajudar muito nesse processo”, comemora Dellacqua.

Apesar de negociações avançadas, ambas instituições ainda não cravam uma data para que o projeto comece a funcionar efetivamente.

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