Laboratória oferece formação intensiva em programação para mulheres

Laboratória oferece formação intensiva em programação para mulheres

Por Roseli Andrion | Editado por Claudio Yuge | 28 de Julho de 2021 às 18h10

Enquanto mais de 20 mil vagas devem ser abertas no setor de tecnologia brasileiro nos próximos meses, apenas 20% dos profissionais da área são mulheres, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para mudar esse cenário, a Laboratória abre processo seletivo para seu programa intensivo de treinamento (bootcamp) na área de programação.

Fundada no Peru em 2014, a Laboratória ajuda as participantes do projeto a aprimorarem habilidades técnicas e socioemocionais para ingressar no mercado de tecnologia. O relatório “Analyzing the Social and Economic Returns of Laboratoria’s Bootcamp” aponta que, após o primeiro ano de treinamento, a média salarial das graduadas é de US$ 970,61 (pouco mais de R$ 5 mil). Muitas das participantes não tinham renda fixa quando entraram no programa: das 250 formadas no Brasil, cerca de 60% não trabalhavam antes do bootcamp.

Aproximadamente 2 mil alunas já se formaram nos países em que a Laboratória atua (Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). No Brasil, mais de 90% entraram no mercado logo após a capacitação. Ao fim do bootcamp, a entidade organiza um hackathon em que as alunas são divididas em equipes (squads) para resolver desafios propostos por diferentes empresas em aproximadamente 30 horas. Hoje, a instituição é vista como fonte de talentos para 800 organizações no país.

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Imagem: Reprodução/Envato/DragonImages

Mais diversidade

Segundo Juliana Facciolla, diretora institucional da Laboratória, as empresas já percebem a importância de ter equipes diversas. “Por isso, cada vez mais buscam mulheres para as áreas de tecnologia”, diz. “Um estudo da McKinsey indica que as equipes diversas têm resultados 22% melhores do que as uniformes.”

A Laboratória quer ajudar a garantir essa diversidade. Hoje, apenas 52% das mulheres adultas da América Latina são parte do mercado de trabalho enquanto entre os homens esse número é 24% maior. “Esses dados são de um estudo recente feito pela Laboratória e pelo BID Lab. Entre as causas dessa lacuna social e econômica estão os impactos dos papéis de gênero, estereótipos e a desigualdade na carga de responsabilidades domésticas”, diz Juliana.

Ela destaca que, no setor de tecnologia, essa inclusão é ainda mais difícil. “Há limitação dos sistemas educativos tradicionais, adoção de vieses inconscientes, discriminação em ambientes de trabalho e ausência de referências femininas para serem seguidas”, pontua. “Todas essas barreiras limitam as oportunidades das mulheres para desenvolver-se no segmento.”

Imagem: Reprodução/Unsplash/Christina

Uma das recomendações para ajudar na superação desses desafios é a criação de iniciativas que fomentem a participação das mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. “O desenvolvimento de software é uma profissão do futuro que, segundo previsões, vai precisar de mais de um milhão de novos profissionais em três anos somente na América Latina.”

Próxima edição

O curso prepara as alunas para se tornarem desenvolvedoras front-end. Juliana diz que outras opções de formação são consideradas para o futuro. “Nossa missão é possibilitar que mulheres que sonham com um futuro melhor comecem uma carreira transformadora e promissora na área de tecnologia.”

As 60 selecionadas precisam ter disponibilidade de se conectar ao curso à tarde de segunda a sexta-feiras durante os seis meses de duração do programa. As alunas não pagam nada durante o bootcamp. Depois de empregadas, fazem um pagamento que representa apenas parte do custo total do curso — a Laboratória não informa qual o valor desse pagamento. “Esses recursos vão para a formação de outras mulheres”, afirma Juliana.

Imagem: Reprodução/Pixabay/Gerd Altmann

A próxima edição tem início em janeiro de 2022 e será remota. As interessadas não precisam ter conhecimento técnico na área. “Muitas mulheres nunca tinham visto uma linha de código na vida antes do curso e hoje são programadoras em mais de 50 empresas do Brasil. Não queremos que a falta de oportunidade seja uma barreira para as mulheres ingressarem no mundo da tecnologia”, ressalta. “As graduadas compõem uma comunidade e são modelos para futuras estudantes.”

Para participar, as candidatas devem se apresentar e se identificar como mulher, viver em território nacional, ter 18 anos ao fim do programa e ter feito o Ensino Médio em escola pública ou em escola privada com bolsa integral. Além disso, é importante que não estejam cursando curso universitário durante o bootcamp, já que a formação requer dedicação integral. As inscrições e a etapa online do processo seletivo vão até 12 de outubro. Para se inscrever, visite o site.

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