Psicografia de Chico Xavier é analisada por Inteligência Artificial

Por Redação | 03 de Julho de 2017 às 11h23

Um dos médiuns mais famosos do mundo, Francisco Cândido Xavier foi responsável por mais de 400 livros escritos. Segundo suas crenças, as obras foram ditadas por espíritos, por isso nunca considerou as narrativas como sendo de sua autoria. Falecido há 15 anos, Chico Xavier continua sendo um verdadeiro mistério para os céticos, e por isso uma empresa brasileira iniciou uma pesquisa de análise de seus livros utilizando inteligência artificial. Como seus livros, segundo o médium, foram escritos por autores diferentes, a ideia da investigação foi descobrir se cada autor tem um estilo de escrita própria e se eles apresentam diferenças suficientes entre si.

A Stilingue trabalha com análise de textos utilizando algoritmos que, utilizando dados, são capazes de aprender a criar relações entre textos diferentes. Essa mesma técnica foi utilizada para recriar as obras de Shakespeare. Depois de analisar inúmeros caracteres do autor, o computador se tornou inteligente o suficiente para imitar o estilo do dramaturgo. Já para a análise de Chico Xavier, foram estudados três autores psicografados: Emmanuel, André Luiz e Humberto de Campos.

Como é necessário unir enormes quantidades de dados para a análise, a rede neural artificial foi alimentada com três livros de cada autor. “No caso de Humberto de Campos, sentimos um pouco de falta de mais material. Ele é um autor mais desafiador porque escrevia diferentes tipos de textos”, revelou Milton Stiilpen Jr, fundador da Stilingue. De qualquer forma, a máquina foi capaz de imitar todos os autores de forma surpreendente, reproduzindo o estilo de cada um deles.

André Luiz - autor x inteligência artificial

Texto psicografado por Chico Xavier

"Os encarnados presentes viam tão-somente o corpo de Otávia, dominado pelo sacerdote que lhes era invisível, quase a rebentar-se de soluços atrozes, mas nós víamos além. A nobre senhora desencarnada postou-se ao lado do filho e começou a beijá-lo, em lágrimas de reconhecimento e amor. Pranto copioso identificava-os. Cobrando forças novas, a genitora continuou:

– Perdoe-me, filho querido, se noutra época induzi o seu coração à responsabilidade eclesiástica, modificando o curso de suas tendências. Suas lutas de agora me atingem a alma angustiada. Seja forte, Marinho, e ajude-me! Desvencilhe-se dos maus companheiros! Não vale rebelar-se. Nunca fugiremos à lei do Eterno! Onde você estiver, a voz divina se fará ouvir no imo da consciência…

Nesse momento, observei que o sacerdote recordou instintivamente os amigos, tocado de profundo receio. Agora que reencontrava a mãezinha carinhosa e devotada a Deus, que sentia a vibração confortadora do ambiente de fraternidade e féé, sentia medo de regressar ao convívio dos colegas endurecidos no mal."

Texto escrito por inteligência artificial

"A primeira vez mais providencial de serviço de sua consciência, a senhora Laura encontrava-se com a presença de alguns, com a sua consciência espiritual e a medicina de amor, acrescentou:

– O controlador de serviço está disposto a escapar com as mesmas expressões de alegria.

A primeira vez mais forte de algum tempo, a senhora de Alexandre prosseguiu a companheira de serviço e considerando a alegria da conversação despediu-se:

– Neste momento, a maioria dos companheiros encarnados estão através de construções destruidoras e desencarnadas. A consciência tem sempre a construção do coração."

De acordo com os pesquisadores, os bots foram capazes de imitar cada um dos autores com precisão interessante: 22% para André Luiz, 5% para Emmanuel e 32% para Humberto de Campos. Apesar do resultado, os estudiosos quiseram testar se daria para descobrir se todos os textos foram escritos por uma só pessoa. Para isso, a empresa confundiu a máquina, misturando os textos dos três autores. Dessa forma, a máquina do Emmanuel teve que escrever com base na obra do Humberto e assim por diante. O resultado? Os bots não conseguiram identificar os mesmos padrões e as taxas de erro dispararam. Isso significa que, crenças a parte, os autores realmente são diferentes.

No entanto, ainda não se sabe, e provavelmente não saberemos, se Chico Xavier pode ter criado conscientemente diferentes personas, como os escritores que trabalham com heterônimos. Seja como for, o resultado de suas produções é realmente impressionante, principalmente sendo de responsabilidade de alguém que não teve qualquer formação literária.

Via SuperInteressante