Nos games, Mario poderia nem ter existido se não fosse pelo marinheiro Popeye

Por Patrícia Gnipper | 29 de Janeiro de 2018 às 12h08

Um dos símbolos mais icônicos da Nintendo, Mario só existe por causa do Popeye. É isso mesmo: se não fosse pelo marinheiro, talvez o encanador italiano mais amado de todo o mundo nem existisse. E tudo aconteceu por causa de direitos autorais.

Aparecendo em mais de 200 jogos, Mario se tornou parte da cultura pop em todo o mundo, estampando, além dos games, uma imensidão de produtos, como bonecos, camisetas e itens de decoração. Mas o que nem todo mundo sabe é que ele não era o personagem-título do primeiro jogo em que apareceu, quando ainda não era um encanador, e acabou surgindo como um substituto emergencial para o marinheiro.

Antes de Mario

Em 1889, Fusajiro Yamauchi fundou a Big N como uma produtora de cartas de baralho. Depois de se aventurar por outros nichos de mercado, a produtora viu, nos anos 1970, a oportunidade de entrar no universo dos jogos eletrônicos, já que os arcades ficaram populares e abriram um novo filão.

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Jogos de cartas da Nintendo (Reprodução: beforemario.com)

No ocidente, o primeiro jogo oficialmente distribuído pela Nintendo se chamava Radar Scope, que já era o segundo arcade mais popular no Japão, perdendo somente para Pacman. Mas Radar Scope não fez o mesmo sucesso na América, e, então, a companhia contratou Shigeru Miyamoto para criar um game com a cara do público ocidental.

Foi aí que Miyamoto teve a ideia de criar um jogo de aventura estrelando o marinheiro Popeye. Isso seria facilitado porque a empresa já tinha licença para produzir cartas usando personagens populares nos Estados Unidos, incluindo o marinheiro, além de Mickey Mouse, Pato Donald e Bambi. O jogo do Popeye teria os moldes do game de Mario como o conhecemos: um cenário contínuo em que o herói precisaria atravessar plataformas, desviar de obstáculos e salvar Olívia Palito das garras de Brutus.

Mas, apesar da boa relação entre a Nintendo e os detentores dos direitos autorais de Popeye na época, as negociações demoraram muito mais do que a produtora japonesa imaginou, fazendo com que Yamauchi ordenasse que o jogo fosse lançado sem o personagem. Miyamoto se inspirou, então, em King Kong para transformar Brutus em um gorila-vilão, Olívia Palito virou Pauline e Popeye foi trocado por um carpinteiro bigodudo, tudo isso em um cenário portuário onde barris eram usados como obstáculos.

Imagem promocional de Donkey Kong, de 1981 (Reprodução: Divulgação)

E foi assim que nasceu Donkey Kong, em 1981, clássico dos fliperamas e o primeiro jogo em que Mario aparece (ainda sem o nome lendário, sendo chamado apenas de Jumpman).

Conhece o Mario?

O nome Mario surgiu só depois do lançamento de Donkey Kong, batizado em homenagem a Mario Segale, que estava exigindo o pagamento de um aluguel atrasado em um depósito alugado pela Nintendo. O proprietário tinha algumas semelhanças com o personagem, e foi assim que Jumpman se tornou Mario, ganhando esse nome em Donkey Kong Jr, lançado no ano seguinte.

Mario só se tornou um encanador com a chegada de Mario Bros. ao arcade, em 1983, quando seu irmão Luigi apareceu pela primeira vez. No lugar do cenário portuário de Donkey Kong, os irmãos bigodudos exploravam a rede de esgoto de Nova Iorque, aniquilando insetos e tartarugas pelo caminho.

Mario Bros., de 1983 (Reprodução: Divulgação)

O sucesso foi absoluto, rendendo toda a série de jogos de Mario que vimos surgir nos anos seguintes para fliperamas e consoles, com Mario às vezes deixando de ser encanador para se apresentar como médico (na série Dr. Mario), golfista (em Mario Golf), piloto de kart (na série Mario Kart), árbitro de tênis (em Mario Tennis) e membro de uma equipe de demolição (Wrecking Crew).

Mas e o Popeye? Bom, quando o King Features Syndicate, que tinha os direitos do personagem, viu o sucesso estrondoso de Donkey Kong, decidiu viabilizar de uma vez por todas um game do marinheiro com a Nintendo, que surgiu em 1982 para fliperamas. Mas o jogo de Popeye não chegou aos pés de Mario no que diz respeito à popularidade, e certamente o pessoal que enrolou a negociação anterior se arrependeu bastante por conta disso.

Tela de abertura do game Popeye, de 1982 (Reprodução: Divulgação)

Fonte: Japan Info, NA-NU

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