Descoberto exoplaneta capaz de ter água, gravidade e atmosfera como a terrestre

Por Redação | 24.08.2016 às 21:01

A fraca e vermelha luz de Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sol, a 4,22 anos luz de distância do sistema solar, revelou aos cientistas do ESO (Observatório Espacial Europeu do Sul) o exoplaneta mais próximo de nós a compartilhar características estruturais com a Terra. Apelidado de Proxima B, por causa do nome de sua estrela, o planeta teve sua descoberta detalhada em um artigo científico publicado na revista Nature nesta quarta-feira (24), e segundo o co-autor dos papéis, John Barnes, tem uma atmosfera capaz de suportar a vida como a conhecemos.

Exoplanetas parecidos com a Terra não são uma novidade, mas o que torna o exoplaneta Proxima B tão especial é justamente o fato de ele estar tão perto de nós. No vídeo que você pode ver logo acima, a representação gráfica feita pela Nature explica que a descoberta de Proxima B, que estava "bem debaixo de nossos narizes", se deu por causa da variação de cores na luz de sua estrela, causada pelo efeito doppler. Conforme a estrela se movia para frente e para trás em relação à Terra, as ondas de luz emitidas por ela chegavam aqui com variações de frequência que modificavam a sua cor, a partir deste efeito, os cientistas responsáveis pela descoberta logo constataram que o fenômeno devia ser causado por um planeta orbitando essa estrela.

Proxima B

Embora muito promissor, astrônomos temem que o exoplaneta seja uma decepção assim como foi o planeta Vênus, no século passado (Foto: Reprodução/Nature)

Por causa dos rápidos movimentos circulares da estrela, os cientistas também puderam medir o tempo que o exoplaneta leva para dar uma volta completa em Proxima Centauri. Levando 11 dias para fazer aquilo que a Terra faz em 365, Proxima B tem uma órbita bastante próxima à de sua estrela, mas que não inviabiliza a existência de uma atmosfera, já que Proxima Centauri é uma estrela pequena e de pouco calor, quando comparada ao Sol.

Segundo os mesmos cientistas, para que o planeta pudesse mover a estrela conforme a circunda, como numa dança a dois, seria necessário que Proxima B tivesse uma massa de 1,3 Terras, o que também torna sua gravidade bastante parecida com a de nosso planeta. Como se já não bastasse, é possível que o planeta que orbita a anã vermelha ainda tenha água líquida em sua superfície, já que a relação entre a distancia em que ele e sua estrela se encontram, junto do baixo poder de fogo de Proxima Centauri, tornam habitável a zona onde o planeta se encontra.

Proxima B

Conforme a estrela girava influenciada pela gravidade do planeta, sua luz, vista dos observatórios terrestres, mudava de cor. (Foto: Reprodução/Nature)

Embora seja um motivo de grande euforia para astrônomos e entusiastas do assunto, vários cientistas, envolvidos ou não na descoberta, apontam que Proxima B é sim uma revolução na descoberta de exoplanetas parecidos com a Terra, mas que isso não o torna um gêmeo desta. Vários outros aspectos físicos são importantes para que um planeta seja considerado habitável, campo magnético e atmosfera são um deles.

Especialistas em estrelas anãs vermelhas como Proxima Centauri explicam que astros do gênero costumam ser muito instáveis em seus anos iniciais, o que tornaria o exoplaneta um verdadeiro inferno caso ele não tenha um bom campo magnético e uma atmosfera parecida com a Terra. Até o momento, não há como descobrir se Proxima B é dotado dessas características, e nas projeções mais otimistas, espera-se que sejamos capazes de verificar essa hipótese em no mínimo 20 anos. É bastante tempo, mas se pensarmos que ele está a quatro anos luz de nós, fica visível que a descoberta divulgada hoje é literalmente o primeiro passo para conhecer melhor o exoplaneta.

Outra característica que torna os cientistas mais céticos é que, embora o fato do planeta não ter vida não o torne inabitável, Proxima B não tem movimento de rotação, aquele onde o planeta gira sobre seu próprio eixo. Com isso, é sempre dia numa determinada face do planeta, e sempre noite na face oposta, algo parecido com o que ocorre com a lua em relação a nós e ao nosso Sol.

Por mais que não seja a descoberta perfeita, é inegável que achar um exoplaneta tão próximo de nós e ao mesmo tempo tão parecido com a Terra deve mudar os padrões de pesquisas astronômicas. A partir de agora, espera-se que os pesquisadores do ramo observem com mais carinho as estrelas menos parecidas com o Sol, priorizando aquelas que estão perto de nós e têm planetas em uma órbita relativamente curta. Quem sabe em alguns anos achamos, aqui mesmo nas redondezas, algo ainda mais parecido com nosso atual planeta, não é mesmo?

Fonte: Mashable