Wall Street vê sinal de alerta com queda nos preços das criptomoedas

Wall Street vê sinal de alerta com queda nos preços das criptomoedas

Por Diego Marques | Editado por Claudio Yuge | 23 de Junho de 2022 às 23h30
Pixabay-TreptowerAlex

Conhecido como “inverno cripto”, os períodos de baixa do mercado de criptomoedas costumam apresentar forte desvalorização nos preços dos criptoativos. A atual tendência de baixa não tem sido diferente. No início de 2021, o valor total de capital investido no setor era de cerca de US$ 3 trilhões (R$ 15 trilhões). Atualmente esse montante caiu cerca de 70%, o que tem deixado Wall Street, o maior centro financeiro do mundo, preocupado.

Semelhantemente ao mercado de ações, os preços das criptos também apresentaram forte desvalorização após o Banco Central dos Estados Unidos, o (FED), iniciar um processo de alta de juros para tentar acabar com a inflação.

No mercado tradicional, diante de medidas como as que estão sendo tomadas pelo FED, os investidores entendem como prejudicial e vendem seus ativos. Para Wall Street, o que está acontecendo nas criptomoedas é uma versão muito mais forte do que acontece no sistema financeiro. Existem quedas e desvalorizações, mas não na intensidade que tem ocorrido com as criptos. E isso tudo acende um alerta, porque os segmentos, embora sejam bem diferentes, possuem similaridades.

Especialistas apontam que Wall Street tem demonstrado preocupação devido à aparente fragilidade das bases que sustentam a indústria de criptomoedas. Recentemente, a moeda digital Terra, até então um projeto confiável, colapsou no mês de maio. Em poucos dias a cripto derreteu mais de 99%, e causou um prejuízo de mais de US$ 40 bilhões (R$ 200 bilhões) dos investidores.

Wall Street está preocupada com mercado cripto, recentes desvalorizações ocasionadas pelo colapso de projetos cripto, assusta o maior centro financeiro mundial(Imagem:Reprodução/Envato-Maciejbledowski)

Outro evento que assusta Wall Street envolve a Celsius Network, uma plataforma cripto que permite aos investidores depositarem seus tokens em troca de rendimento. A organização travou as contas de cerca de 1,7 milhão de clientes, impedido que eles possam sacar o capital que investiram. Cerca de US$ 10 bilhões (R$ 50 bilhões) estão "presos", e os usuários não sabem se poderão reaver o valor investido.

Brian Armstrong, CEO e cofundador da Coinbase, a maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos, anunciou que a instituição pretende demitir mais de 1.000 funcionários. Ele também alertou que uma recessão pode piorar ainda mais os problemas do setor. “Uma recessão pode levar a outro ‘inverno’ das criptomoedas e pode durar um longo período."

O aumento das taxas de juros em bancos centrais de todo o mundo (inclusive a nossa Selic), deve manter o período de baixa no mercado cripto.(Imagem:Reprodução/Envato-leungchopan)

Tais eventos ligaram o alerta em especialistas de Wall Street que acompanham o mercado de criptomoedas de perto. Um deles é Hilary Allen, professora de direito da American University. Ela afirmou estar menos preocupada com a recente tendência de baixa, que atinge tanto o sistema financeiro tradicional quanto o de criptos, do que outra questão pouco lembrada. Fundos de investimentos e investidores buscaram empréstimos bancários para investir em criptomoedas. Com a forte queda do mercado essas pessoas perderam um capital que não é delas.

A esperança está na criação de leis que possam regulamentar o setor. Em um comunicado o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, relatou que a recente turbulência evidencia a urgente necessidade de leis para o setor, de modo a mitigar os riscos que os ativos digitais representam”.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.