Telegram se torna campo fértil para especulações sobre criptomoedas

Por Redação | 26 de Janeiro de 2018 às 11h24
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Que as moedas virtuais possuem uma altíssima volatilidade, isso você já sabe. O que provavelmente desconhece é que tem gente se aproveitando disso, como não poderia deixar de ser, utilizando grupos do Telegram, postagens em redes sociais e até fake news para inflar ou reduzir os valores de determinados criptodinheiros.

São os chamados grupos “dump and pump”, que, como o nome já indica, são voltados totalmente para a especulação. O principal deles, chamado Big Pump Signal, tem 77 mil usuários apenas no Telegram e realiza operações semanais de especulação, voltadas, principalmente, para criptomoedas menores.

Por meio de publicações dos administradores, os usuários são informados sobre o que fazer, como os momentos em que os responsáveis trabalharão para reduzir o valor de uma moeda, propiciando a compra, e quando os alvos de especulação sofrerão valorização, para que possam ser vendidas.

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Outros grupos contam com mais algumas dezenas de milhares de usuários, enquanto uma parcela tem foco somente em um tipo de criptomoeda. As operações também se espalham por outros aplicativos, como o Discord, um chat de voz e texto voltado para o público gamer. A estimativa é que, entre operadores, participantes e simples observadores do que está acontecendo, mais de 400 mil pessoas ao redor do mundo estejam em contato com esquemas desse tipo.

O modus operandi varia. No Telegram, por exemplo, o tipo de ação mais popular envolve bots que realizam a compra e venda em massa de moedas, prometendo aos usuários ganhos altos em troca de uma taxa de operação e outra para administração dos robôs. Aqui, entretanto, os resultados se misturam — existem aqueles que efetivamente entregam ganhos, não tão absurdos assim, mas, na maioria, se tratam de golpes nos quais seus operadores roubam as moedas virtuais dos clientes.

Outra prática comum é a compra de moedas em um câmbio internacional para venda em outros. Por mais que estejamos falando das mesmas bitcoins, seu preço por unidade pode variar dos Estados Unidos para a Coreia do Sul, com os bots realizando a compra em um e a venda em outro, ficando com a diferença. A promessa é de ganhos de 1% a cada quatro horas, quando, na verdade, os responsáveis pelo golpe estão lucrando bem mais com as moedas dos clientes, que podem, até mesmo, nunca serem devolvidas.

Até comerciais falsos são usados para atribuir aparência de legitimidade. Em um deles, para o iCenter.co, que se diz ser um dos maiores centros mundiais de investimento em bitcoins, o astro Dwayne “The Rock” Johnson aparece segurando uma placa com o logo do serviço. As imagens, na verdade, são do filme Baywatch. Em outro, Justin Timberlake e Christopher Walken parecem conversar sobre o serviço e, ironicamente, falam sobre dar adeus aos golpes. As imagens, entretanto, são editadas a partir de um comercial de bebida.

Para Marie Vasek, professora assistente da Universidade do Novo México, nos EUA, os golpes são semelhantes ao clássico Esquema de Ponzi, que você deve conhecer por outro nome: pirâmide. Só que, em vez do que existia no passado, com telefones e cartas fazendo o trabalho de convencimento e troca de fundos, os meios agora são os mensageiros e a atenção é totalmente voltada às criptomoedas.

Alguns, inclusive, já chegaram ao ponto de fuga de seus operadores. Em 4 de janeiro, um dos principais robôs de transações, o Global Trading Bot, deixou de operar repentinamente. Os responsáveis por ele afirmam que o sistema ficou sem fundos para operar, mas os clientes que jamais viram seus investimentos retornando sabem muito bem o que aconteceu.

Em resposta oficial, o Discord afirmou que não tomará atitudes com relação à questão, uma vez que ela acontece fora de seus servidores. O ocorrido dentro do serviço não viola os termos de uso, então, nada pode ser feito. O Telegram não publicou pronunciamento sobre os casos, mas é possível que postura semelhante seja assumida pelo mensageiro.

Fonte: Buzzfeed News

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