Criptomoeda do Telegram será lançada em dois meses

Por Wagner Wakka | 28 de Agosto de 2019 às 08h25
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Depois de um ano e meio de especulações, o Telegram pode, finalmente, lançar a sua própria criptomoeda. O jornal The New York Times disse ter falado com ao menos três investidores da empresa, que confirmaram intenções do CEO, Pavel Durov, de colocar o chamado Gram no mercado dentro de dois meses.

Durov teria apresentado a ideia em uma reunião de apresentação de relatórios financeiros. O cronograma envolve o lançamento de carteiras digitais que atendam entre 200 milhões e 300 milhões de usuários do Telegram. Com isso, eles poderiam fazer transações pelo mundo todo apenas usando o aplicativo de mensagens.

Toda história começou no ano passado, quando a empresa buscou parceiros que investissem US$ 1,7 bilhão para colocar a ideia de pé. Na época, a proposta era de oferecer US$ 600 milhões em ofertas privadas iniciais e, depois, outros US$ 600 milhões para o público final após o lançamento. Os entrevistados pelo The New York Times não confirmam esta movimentação.

Desde o começo do ano passado, o Telegram não falou mais sobre o Gram. A falta de informação foi uma estratégia da companhia para fugir de governos e órgão reguladores em todo mundo. Desde que o Facebook anunciou o Libra, em junho deste ano, autoridades públicas em várias regiões começaram a mostrar preocupação e iniciaram movimentações para derrubar ou regular a ideia. Ao não apresentar, de fato sua proposta, o Telegram tira o assunto da pauta oficial dos políticos planeta afora.

O principal motivo de preocupação de governos pelo mundo com criptomoedas tão fortes é o pouco espaço que eles têm para regulamentá-las. Moedas digitais também são bastante usadas para vendas de drogas, contrabando de armas e lavagem de dinheiro, exatamente pela dificuldade de se rastrear os usuários. Não deve ser diferente com o Gram.

No caso do Telegram, há ainda um outro agravante. Em alguns países como a Rússia, China e nações do Oriente Médio, ele é conhecido como o aplicativo usado para se fugir de censura política que ocorre nestas regiões. O caráter disruptivo e libertador, neste caso, pode jogar contra o lançamento de uma criptomoeda no mercado.

O Gram vai atuar de forma descentralizada, como o Bitcoin. Isso significa que, quando a criptomoeda for lançada, será controlada por um rede de computadores e não mais pelo próprio Telegram.

A companhia também vai lançar a Telegram Open Network, uma rede que deve envolver novos aplicativos e páginas web. Algumas das ideias envolvem um site em que você pode presentear outra pessoa por bons comentários no app e outra em que será possível fazer pequenas apostas em eventos, sobretudo esportivos.

Os primeiros investidores do Gram devem receber seus documentos de comprovação da criptomoeda em 31 de outubro. Há um acordo, segundo eles, para que todos os primeiros compradores esperem um tempo até que comecem a vender suas moedas digitais do Telegram, exatamente para não criar uma derrocada inicial da mesma.

Apesar das informações reveladas pelo jornal, o Telegram ainda não confirmou o lançamento ou, até mesmo, a existência do Gram.

Fonte: NY Times

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