Essa bateria deixa seu celular ligado por cinco dias, dizem pesquisadores

Por Rafael Arbulu | 06 de Janeiro de 2020 às 20h30

Se pesquisadores da Universidade de Monash, em Melbourne, na Austrália, estiverem certos em suas previsões, o problema de falta de bateria do seu smartphone deixará de ser um obstáculo (ou uma desculpa, dependendo da situação): isso porque eles desenvolveram um protótipo composto de uma combinação de lítio e enxofre que pode fazer a carga de um celular durar até cinco dias ininterruptos – ou ainda energizar um carro elétrico por aproximadamente 600 quilômetros.

A ideia por trás do projeto era a de desenvolver uma opção de bateria mais amigável ao meio ambiente do que o atual padrão íon-lítio, adotado por praticamente todas as empresas cujos produtos dependam de versões portáteis deste item – como, adivinhe só, smartphones, tablets e carros elétricos. E a notícia não acaba aí: os pesquisadores alegam estar “bem próximos” de viabilizar o novo modelo em caráter comercial, o que pode significar um salto significativo para a indústria tecnológica de hoje.

A vantagem ambiental, aqui, se assemelha muito a outro projeto de caráter similar – o das baterias de grafeno. Tal qual este último, o enxofre também possui uma densidade maior que os componentes atualmente utilizados, além de uma maior capacidade de retenção de carga, fazendo com que as baterias fiquem acionadas por mais tempo, exigindo menos ciclos de recarga e, consequentemente, menos uso da rede elétrica fixa e uma redução no impacto ambiental.

Baterias de íon-lítio (foto), comumente usadas em smartphones atuais, podem estar em vias de serem substituídas por modelo baseado em lítio-enxofre

Ao contrário dos projetos de grafeno, porém, a bateria de lítio-enxofre parece mais próxima da realidade. Uma desvantagem, porém, é a suposta vida útil do componente, já que o enxofre, quando combinado com o lítio, reduz a durabilidade do material, o que pode levar a trocas mais frequentes de componentes. Baterias do tipo já são empregadas em alguns carros e aeronaves e passam por esse exato problema. Segundo o Faraday Institute, baterias de lítio-enxofre possuem degradação acelerada.

A equipe australiana de pesquisadores, porém, alega que “reconfiguraram” o cátodo de enxofre para que ele pudesse suportar maiores cargas de stress, sem a perda de desempenho ou aceleração de sua deterioração. "Essa abordagem não somente favorece métricas de alto desempenho e um ciclo de vida mais longo, mas também é simples e extremamente barato de se fabricar, usando processos baseados em água, e pode levar a significativas reduções no desperdício ambientalmente nocivo”, comentou a CNN o pesquisador Matthew Hill, que fez parte do time.

Apesar do otimismo dos pesquisadores australianos, porém, ainda não há uma previsão de adoção do novo modelo – ou da descontinuidade da atual configuração íon-lítio –, então, ao menos por ora, ficamos na conjectura do que a ideia pode fazer. 

Fonte: CNN

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