Servidores de nuvem dos EUA vão manter registros de estrangeiros, decretou Trump

Por Rui Maciel | 21 de Janeiro de 2021 às 12h25
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Antes de ser substituído por Joe Biden no cargo de presidente dos EUA, Donald Trump ainda deixou algumas "heranças": nas últimas horas no cargo, ele assinou uma ordem executiva determinando que as empresas americanas de nuvem mantenham registros de clientes estrangeiros. O objetivo é ajudar as autoridades do país a rastrear pessoas que cometem crimes cibernéticos.

Donald Trump: um dos últimos decretos do presidente envolveu as empresas de cloud computing (Imagem: Unsplash)

Entre as informações a serem retidas, os provedores de nuvem americanos devem manter nomes, endereços físicos e de e-mail, números de identificação nacional, meios e fontes de pagamento que podem reunir dados de cartão de crédito ou conta bancária. Números de telefone e endereços IP usados ​​para rastrear os serviços cada vez que eles são acessados também devem ser armazenados.

Em carta à presidente da Câmara, Nancy Pelosi e ao vice-presidente Mike Pence, Trump escreveu:

"Atores estrangeiros usam produtos IaaS (sigla para "Infraestrutura como Serviço") dos Estados Unidos para uma variedade de tarefas na realização de atividades cibernéticas maliciosas, o que torna extremamente difícil para as autoridades dos Estados Unidos rastrear e obter informações por meio de processos judiciais antes que esses atores estrangeiros façam a transição para a infraestrutura de substituição e destruam as provas de suas atividades anteriores  

Os revendedores estrangeiros de produtos IaaS dos Estados Unidos facilitam o acesso de atores estrangeiros a esses produtos e evitam a detecção."

Embora a ordem executiva e a carta usem o termo de infraestrutura como serviço (IaaS), o decreto explica que a definição também inclui outros serviços em nuvem.

"O termo [IaaS] significa qualquer produto ou serviço oferecido a um consumidor, incluindo ofertas gratuitas ou de 'teste', que fornece processamento, armazenamento, redes ou outros recursos de computação fundamentais e com os quais o consumidor é capaz de implantar e executar softwares que não são predefinidos, incluindo sistemas operacionais e aplicativos.

O consumidor, normalmente, não gerencia ou controla a maior parte do hardware subjacente, mas tem controle sobre os sistemas operacionais, armazenamento e quaisquer aplicativos implantados. O termo inclui produtos ou serviços 'gerenciados', nos quais o provedor é responsável por alguns aspectos de configuração a manutenção do sistema e produtos ou serviços 'não gerenciados', nos quais o provedor é apenas responsável por garantir que o produto esteja disponível para o consumidor.

O termo também inclui produtos e serviços 'virtualizados', nos quais os recursos de computação de uma máquina física são divididos entre computadores virtualizados acessíveis pela internet (por exemplo, 'servidores virtuais privados') e produtos ou serviços 'dedicados' em em que os recursos computacionais totais de uma máquina física são fornecidos a uma única pessoa (por exemplo, servidores 'bare-metal'). "

Bloqueio

O decreto de Trump dá ao Secretário de Comércio a capacidade de restringir o acesso aos serviços em nuvem dos EUA se um país for considerado suspeito por ter "qualquer número significativo de estrangeiros oferecendo produtos IaaS dos Estados Unidos usados ​​para atividades cibernéticas maliciosas". A pasta também poderá limitar o acesso de certos estrangeiros - nações consideradas ameaças à segurança dos EUA.

Esta seção e as obrigações de manutenção de registros entrarão em vigor após 180 dias. Além disso, em 120 dias, o governo dos Estados Unidos terá de analisar como aumentar o compartilhamento de informações entre os próprios provedores de nuvem, bem como com o governo, para "deter o abuso de produtos IaaS dos Estados Unidos". Após 240 dias, um relatório e recomendações serão apresentados ao presidente Joe Biden.

Fonte: ZDNet  

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