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O que leva uma pessoa a trapacear?

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Projeto Estoque RDNE/Pexels
Projeto Estoque RDNE/Pexels

Embora devesse prevalecer a razão, nem sempre os seres humanos são guiados por ela. Na verdade, existem diferentes fatores que motivam a ação humana, indo muito além da honestidade. É o caso da mentira e também da trapaça, sendo que esta última tende a ser mais comum quando os resultados são imediatos, segundo recente pesquisa feita com mais de 180 pessoas.

Em sua tese de doutorado, o psicobiólogo Vitor Campos, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, verificou como a proximidade temporal da recompensa e o maior tempo para anunciar os resultados de atividades favorecem a trapaça. O que ele traçou foi, basicamente, o momento mais propício para a fraude.

Anteriormente, Campos já tinha participado de estudos que demonstraram que a pressão do tempo para realizar uma tarefa pode influenciar a conduta honesta ou desonesta na tomada de decisões.

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Estudando a trapaça

Para testar as hipóteses, 188 pessoas foram recrutadas como voluntárias do experimento, sendo que 116 eram mulheres. O grupo foi dividido em dois experimentos. Em comum, as duas atividades consistiam em jogar dados online em uma plataforma específica, nos quais os resultados dos dados eram autodeclarados em um relatório e poderiam render o ganho de até 10 reais no PIX.

No primeiro experimento, foi analisada as chances de um indivíduo trapacear tendo em vista o tempo para receber a recompensa (imediatamente, uma semana e duas semanas) via PIX. No total, 95 recrutados participaram deste teste.

No segundo, os outros 93 jogadores foram divididos em três grupos. Aqui, além de jogar os dados, os resultados das rodadas eram informados imediatamente, uma semana e três semanas após as jogadas, dependendo do grupo no qual o indivíduo estivesse.

Quando a trapaça é mais comum?

Analisando os resultados, descobriu-se que, no primeiro teste, apenas os grupos de recompensa imediata ou de recompensa em uma semana trapaceavam. No segundo, “não encontrou-se diferença significativa entre as distribuições dos grupos experimentais quando comparados uns aos outros”, com uma leve inclinação para ocorrerem com maior frequência nas recompensas pagas em duas semanas, pontua o artigo.

No futuro, mais testes envolvendo os jogos de dados devem ser feitos com um número maior de indivíduos e espaçamentos maiores entre a atividade e a recompensa devem ser adotados, o que permitirá conclusões mais sólidas.

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Para o psicobiólogo, os achados atuais já reforçam evidências encontrados na literatura de que os “indivíduos trapaceiam mais quando eles estão próximos temporalmente da recompensa”, conforme explica para o Jornal da USP. Neste ponto, é válido dizer que “o intervalo de tempo entre a tarefa e a recompensa influencia a honestidade dos indivíduos”.

Para além de conhecer o momento mais propício para a trapaça, o Canaltech já explicou quais são os possíveis sinais identificáveis de que alguma pessoa está mentindo.

Fonte: Biblioteca da USP e Jornal da USP