Jovens da “geração smartphone” não estão preparados para a vida adulta

Por Redação | 06 de Setembro de 2017 às 07h32

Um estudo recente sobre a gritante diferença entre as gerações passadas e a chamada “geração smartphone” rendeu um livro chamado iGen: Why Today's Super-Connected Kids are Growing up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy - and Completely Unprepared for Adulthood (ou “iGen: Por que as crianças superconectadas estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes - e completamente despreparadas para a vida adulta”, em tradução livre). Os dados mostram que a geração atual bebe menos álcool, faz menos sexo e não está exatamente preparada para enfrentar a vida adulta.

O estudo considerou as pessoas nascidas após 1995, que praticamente já nasceram com algum acesso à internet e cresceram junto ao avanço dos smartphones, e ouviu 11 milhões de jovens americanos. Segundo Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos, por terem crescido em um ambiente mais seguro, esses jovens se expõem menos a situações de risco e, portanto, têm mais dificuldade para contorná-las.

Essa geração está chegando à universidade e ao mercado de trabalho com menos experiências de vida, sendo mais dependentes e com maior dificuldade para tomar decisões. A professora opina que os jovens “de 18 anos agem como se tivessem 15 em gerações anteriores”. Para a especialista, isso está relacionado à superconectividade dos tempos atuais, e os jovens desta geração passam, em média, seis horas por dia conectados à rede, seja enviando mensagens, conferindo redes sociais ou jogando online.

Com tanto tempo dedicado ao mundo virtual, os jovens adultos passam menos tempo socializando na vida offline, e isso afeta o desenvolvimento de suas habilidades sociais. Além disso, segundo o estudo, quanto mais tempo o jovem passa em frente à telinha do computador ou do smartphone, maiores são seus níveis de infelicidade.

Em contrapartida, um outro estudo conduzido com 200 universitários mostrou que quase todos prefeririam ver seus amigos pessoalmente, e que os adolescentes estão cientes dos efeitos negativos dos celulares. Ainda assim, não dispensam o dispositivo na hora de conversar com amigos. A pesquisa mostrou que a “geração smartphone” tem altos níveis de ansiedade, depressão e solidão, e a taxa de suicídios triplicou na última década entre meninas de 12 a 14 anos, nos EUA.

Mas o mercado de trabalho pode tirar vantagem

Twenge observa que, por ser uma geração mais realista com o mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, mais disposta a trabalhar duro, as empresas podem se beneficiar. Ela explica que esses jovens “não têm grandes expectativas como as que tinham os millennials (nascidos após 1980), eles estão mais preocupados em estar física e emocionalmente seguros”.

Fonte: BBC