Governo chinês reage contra consumismo desenfreado de caixas surpresa de Labubu
Por Danielle Cassita |

Em publicação no People's Daily, jornal oficial do partido chinês, o governo do país impôs regras mais rígidas para brinquedos e outros itens vendidos nas chamadas blind boxes, as caixas-surpresa. O editorial não menciona a Pop Mart, empresa responsável pela febre das bonecas Labubus, mas traz um alerta ao modelo negócio usado para a aquisição de colecionáveis do tipo.
O que acontece é que a Pop Mart comercializa suas Labubus em embalagens lacradas, ou seja, o consumidor não consegue ver exatamente o que está adquirindo. Segundo o People's Daily, jornal oficial do partido chinês, este sistema foi desenhado para oferecer recompensas imprevisíveis, que incentivam que os consumidores repitam as compras em busca do item desejado.
A prática lembra aquela dos jogos de azar, e estimula que os consumidores façam novas compras repetidas em busca de edições raras tanto destes bonecos quanto de outros itens colecionáveis, como cards; as chances de se adquirir algum item do tipo, no entanto, são de menos de 2%. Os menores de idade ficam ainda mais expostos a tais práticas, porque ainda estão desenvolvendo o autocontrole e a maturidade psicológica.
Embora o People’s Daily não tenha mencionado o nome da Pop Mart, fica claro que a empresa é a principal responsável pelo frenesi de compras das caixas-surpresa — afinal, as Labubus vêm conquistando consumidores e colecionadores no sudeste asiático, no Oriente Médio e na Europa. A procura pelas colecionáveis é tanta que lojas físicas no Reino Unido tiveram que suspender temporariamente as vendas das bonecas por causa de filas e brigas.
O alerta do People's Daily reacendeu o debate sobre a regulamentação dessas práticas. Enquanto isso, as ações da Pop Mart International Group apresentaram queda de 3,6% na Bolsa de Hong Kong na sexta-feira (20).
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Fonte: SCMP