Conheça as "drogas inteligentes" que estão populares no Vale do Silício

Por Redação | 29.07.2015 às 10:37

A região norte da Califórnia, nos Estados Unidos, conhecida como Vale do Silício, é considerada a capital mundial da indústria tecnológica. Sendo assim, é comum que os profissionais que ali trabalham tenham um nível de concentração e inteligência acima da média. Para que essas pessoas consigam melhorar ainda mais suas memórias, criatividade e produtividade, uma substância está ganhando popularidade nos últimos anos.

Chamados de nootrópicos, cujo nome vem do grego "nóos" (mente) e "tropo" (direção), essa substância promete ajudar a melhorar o desempenho mental sem produzir efeitos colaterais considerados negativos. A comunidade científica ainda tem dúvidas em relação a eficácia da substância, que vem sendo utilizada cada vez mais em ambientes de trabalho competitivos, nos quais a mente é utilizada como meio mais importante para obter resultados.

Os compostos químicos utilizados nos nootrópicos incluem a família dos racetams, vitaminas e aminoácidos encontrados em alimentos que podem ser comprados em lojas de suplementos e produtos naturais. Algumas dessas substâncias que compõem o nootrópicos são utilizadas no tratamento de idosos que apresentam alterações em seus meios cognitivos e que sofrem de Alzheimer, por exemplo.

Os defensores da "droga inteligente" afirmam que as substâncias ajudam a melhorar significativamente a memória, a concentração e, em especial, a capacidade de aprender. Remédios como o Adderall, que é prescrito para tratar transtornos como hiperatividade e narcolepsia, também são utilizados por estudantes que têm como objetivo melhorar o desempenho cognitivo. No entanto, há efeitos colaterais como a ansiedade e arritmia.

Não há um consenso sobre como realmente funcionam os nootrópicos, embora seus usuários afirmem que as drogas trazem uma melhora considerável para o metabolismo cerebral. Mesmo assim, a popularidade dessas substâncias tem crescido nos últimos anos em países como os Estados Unidos. Na internet, é fácil encontrar sites, blogs e fóruns que debatem a quantidade de nootrópicos que pode ser consumida e as experiências de quem os utiliza.

Com a popularidade, a demanda dessas drogas está cada vez maior e tem levado empresas a venderem pílulas com diversas substâncias nootrópicas, como o ômega 3 e a cafeína. Entre essas empresas estão a Nootrobox e Nootroo, localizadas no Vale do Silício.

Os especialistas dessas companhias afirmam que os efeitos das substâncias são muito variáveis de acordo com a quantidade consumida e do metabolismo do usuário. Elas ainda constam que não há nenhum estudo profundo sobre os efeitos a longo prazo dos nootrópicos.

Alguns usuários afirmam que a droga lhes trouxe uma nova vida intelectual. Um programador que vive em Los Angeles, chamado Jesse Lawler, disse que começou a se interessar por nootrópicos e outras drogas inteligentes há alguns anos. "Percebi que poderiam ser úteis para as tarefas mentais que eu tinha que fazer no trabalho", disse Lawler. "No meu caso, tem se mostrado útil para, por exemplo, ampliar os períodos de concentração. Utilizo como ferramenta para melhorar meu estado mental", disse à BBC.

De acordo com o programador, as substâncias são especialmente populares entre os profissionais do Vale do Silício e de Wall Street. "Não acredito haver algo de mal em querer que seu cérebro funcione melhor", diz Lawler.

Na outra ponta da discussão aparece o professor de neurociência da Universidade do Texas em Dallas, Lucien Thomson. Ele coloca em questionamento a eficácia de muitos dos nootrópicos utilizados atualmente. "Os estudos já realizados não são conclusivos", disse. "Muitos dos sistemas neurotransmissores que conhecemos e que estão ligados à memória também participam de outros processos. Se você tomar algo para melhorar a memória, estará afetando também outras funções cerebrais, com efeitos imprevisíveis", continuou.

De acordo com Thomson, a melhor forma de melhorar as funções cognitivas é manter uma boa qualidade de vida, principalmente praticando atividades físicas. "Sabemos que a atividade cerebral melhora com o exercício. As pessoas levam um estilo de vida sedentário e querem resolver isso com uma pílula, o que é um absurdo", afirma.

Thomson ainda enfatiza a importância de estimular o cérebro por praticar "palavras cruzadas, por exemplo, e manter uma vida social". O professor não nega que os nootrópicos podem trazer benefícios para a memória, mas ressalta que a maioria das substâncias vendidas não traz efeitos positivos à saúde.

Via BBC

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150726_nootropicos_ab?ocid=socialflow_twitter