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Casais são propensos a ter os mesmos transtornos psiquiátricos; saiba por que

Por  • Editado por  Melissa Cruz Cossetti  | 

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Toa Heftiba/Unsplash
Toa Heftiba/Unsplash

No último dia 28, em estudo publicado na Nature Human Behaviour, foi revelado que casais em relacionamentos de longo prazo têm maior probabilidade de compartilhar os mesmos transtornos psiquiátricos. A pesquisa, que analisou mais de seis milhões de casais em Taiwan, Dinamarca e Suécia, identificou que condições como depressão, ansiedade, esquizofrenia, TDAH, transtorno bipolar, autismo, TOC, anorexia nervosa e abuso de substâncias são mais comuns de ocorrer em ambos os parceiros do que seria esperado por acaso.

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Os cientistas chamam esse fenômeno de correlação conjugal. Ele já havia sido observado em outras características como crenças religiosas, preferências políticas, nível educacional e até hábitos de consumo de substâncias. No caso dos transtornos psiquiátricos, três fatores principais ajudam a entender o padrão:

  • Escolha de parceiros semelhantes: tendemos a buscar companheiros com características próximas às nossas.
  • Limitações sociais: nossas opções de relacionamento são influenciadas por contexto cultural, geográfico e econômico.
  • Convivência prolongada: viver juntos por anos faz com que casais compartilhem rotinas, hábitos e até vulnerabilidades emocionais.
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Segundo os autores, é difícil apontar qual desses fatores pesa mais, mas todos parecem contribuir para que casais acabem apresentando condições de saúde mental parecidas.

Resultados consistentes entre diferentes países

Mesmo com culturas e sistemas de saúde distintos, os resultados se mostraram estatisticamente consistentes nos três países analisados. Apenas em alguns transtornos, como TOC, transtorno bipolar e anorexia, houve pequenas variações.

Outro ponto importante é que, em Taiwan, o estudo também analisou sucessivas gerações, confirmando que esse padrão se mantém ao longo do tempo. Isso reforça a ideia de que a correlação conjugal é um fenômeno universal.

Impactos na genética e na saúde mental dos filhos

O estudo também observou que quando ambos os pais compartilham o mesmo transtorno, o risco de a condição aparecer nos filhos aumenta. Esse achado coloca em xeque uma suposição comum em análises genéticas: a de que nossos padrões de acasalamento são aleatórios.

Se pessoas com determinados transtornos psiquiátricos tendem a se relacionar entre si, isso altera as estimativas sobre o peso dos fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento dessas doenças. Assim, compreender a dinâmica conjugal pode ajudar a melhorar diagnósticos e tratamentos no futuro.

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