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Azul é a cor preferida das pessoas, e isso é científico

Por| Editado por Luciana Zaramela | 14 de Junho de 2022 às 09h00

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Rawpixel/Envato
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Ao ser perguntado acerca da sua cor favorita, é muito provável que você diga "azul". Como sabemos disso? A resposta é simples — pelo menos, é o que diz a ciência — e tem a ver com as suas experiências na infância e durante a vida, bem como construções de sentido sociais. Isso também explica os casos onde a cor favorita acaba não sendo o azul e nem outras cores mais populares.

Pesquisadores já vêm notando a preferência da população por tons azulados desde a realização de estudos sobre o assunto no século 19. Lauren Labrecque, professora da Universidade de Rhode Island (EUA) e estudiosa do efeito da cor no marketing, já tem um slide pronto para suas aulas dizendo que "80% de vocês disseram azul ao escolher sua cor favorita" mesmo antes de fazer a pergunta à classe. Ela costuma acertar.

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Cores e experiências

É comum o gosto pelo azul quando nos tornamos adultos — mas não é consenso. No Japão, por exemplo, o branco costuma figurar entre as três cores favoritas das pessoas, mas o país é minoria nessa preferência. A cor favorita é algo que costuma surgir na infância: mas isso pode mudar de acordo com experiências de vida. Cores menos favoritas aos adultos também mostram um certo padrão: o marrom amarelado escuro é particularmente desgostado.

Karen Schloss, professora assistente de Psicologia da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), tem uma teoria, a da valência ecológica, que diz termos cores favoritas por termos coisas favoritas. Cores não são coisas neutras, e nós, humanos, atribuímos significado a elas. Histórias subjetivas criam razões pessoais para gostar ou desgostar de alguma cor. Isso também explica mudanças de preferência ao longo da vida.

Um dos estudos realizados considerando a teoria apresentou quadros coloridos a voluntários, que deveriam definir o quanto gostavam de cada tela. Depois, as mesmas cores foram exibidas de novo, mas ao invés de quadros, elas foram apresentadas em objetos. Imagens amarelas e azuladas foram postas em objetos neutros como grampeadores e chaves de fenda.

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Já fotos vermelhas e verdes forma distorcidas de propósito: algumas imagens vermelhas tinham formas mais positivas, lembrando morangos ou rosas, enquanto algumas verdes foram modificadas para lembrar coisas nojentas, como saliva ou detritos. Outros participantes viram imagens vermelhas "ruins", lembrando feridas em carne viva, e outros, formas verdes agradáveis, como colinas ou kiwis.

Com esse uso das imagens, a preferência de cores mudou. As cores cujo aspecto positivo foi encorajado eram mais escolhidas, enquanto os tons negativos pouco mudaram. Repetindo o teste no dia seguinte, os efeitos da mudança que o experimento proporcionou anteriormente pareceram ter sido anuladas: os pacientes modificaram sua opinião das cores a partir das experiências no mundo real.

A conclusão é que as experiências com o mundo influenciam como vemos as cores, tanto acontecimentos cotidianos como os muito marcantes, que acontecem poucas vezes na vida. O azul terá prevalência, muitas vezes, porque gostamos de ver imagens bonitas do céu ou de oceanos calmos, imagens que trazem tranquilidade. Tons marrons são pouco populares porque lembram resíduos biológicos ou alimentos em decomposição, por exemplo.

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Sociedade e ambiente

Outros estudos, como o da Universidade de Lausanne (Suíça), mostram que meninas ocidentais preferem tons rosados com mais afinco entre os 5 e 6 anos de idade, o que desaparece na adolescência. Já os meninos evitam a cor, gostando de qualquer uma, menos ela: não gostar de rosa é uma forma de rebeldia para eles, segundo cientistas. Poucos homens adultos têm o rosa como cor favorita.

Mas pesquisas recentes em culturas não globalizadas, como tribos da Amazônia peruana e camponeses do Congo, mostraram que em nenhuma delas as meninas tinham preferência pelo rosa. Segundo os pesquisadores, é necessária a codificação social, ou seja, o incentivo para o gosto dessas cores: no ocidente, o rosa era considerado uma cor masculina até 1920, sendo considerada uma cor forte e máscula. Foi só a partir de meados do século 20 que ela começou a ser associada às meninas.

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E para quem gosta de cores menos populares, acredita-se que a resposta está em memórias positivas da infância relacionadas a essas cores. Bebês dos anos 1970, por exemplo, cresceram em um tempo onde sofás marrons estavam na moda, se afeiçoando à cor. Outras teorias creem que algumas pessoas buscam a homeostase (a estabilidade), enquanto outras preferem buscar sensações, mudanças.

Artistas, por exemplo, trabalham procurando coisas que desafiem o sistema visual ou a preferência estética, fugindo do padrão. Eles provavelmente não vão escolher giz de cera azul, como esperado da maioria.

Fonte: BBC