A volta completa: do analógico ao tecnológico

Por Colaborador externo | 09 de Dezembro de 2019 às 08h22
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*Por Rogério Augusto

A tecnologia parece não ser mais uma opção na vida das pessoas. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios, que tem por objetivo geral medir o acesso e os usos da população em relação às tecnologias de informação e comunicação, 126,9 milhões de pessoas usaram a internet regularmente em 2018. Outro ponto interessante do estudo é que pela primeira vez, metade da zona rural brasileira está conectada, 49% da população disse ter acesso à rede em 2018, o que superou os 44% de 2017. Tais dados mostram o quanto a tecnologia já faz parte do dia a dia das pessoas, seja para trabalho ou lazer.

Prova disto é a 29ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), que revelou que o Brasil tem hoje dois dispositivos digitais por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e tablets. Além disso, o levantamento também mostrou que em 2019, o País terá 420 milhões de aparelhos digitais ativos. Em contrapartida, muitas pessoas começaram a sentir falta de experiências mais reais. O que temos notado é que quanto mais as inovações chegam às nossas vidas, mais necessidade temos em retomar as vivências mais básicas de contato humano.

Temos sentido cada vez mais carência por interações reais. Produtos e serviços passam a ser commodities e as organizações estão investindo cada vez mais em humanização dos seus processos internos para atrair e manter seus clientes. Por isso, o que vemos hoje é que muitas empresas atraem os consumidores mais por sua experiência do que pela solução em si. É o caso do Nubank, por exemplo, que oferece um serviço que muitos bancos oferecem, o grande diferencial está mesmo na relação próxima com seus clientes.

Ao que parece demos a volta completa. Se antes as pessoas buscavam uma marca que resolvesse seus problemas da maneira mais prática possível e produtos altamente tecnológicos, hoje vai muito além disso. Não basta ter uma solução extremamente inovadora, é preciso oferecer um contato sensorial real. Isso se deve muito a chegada das novas gerações. A Alpha, por exemplo, já nasceu imersa na era digital, por isso, smartphones, conteúdo via streaming não é novidade para eles, ou seja, prezam por identidade e algo completamente individualizado.

O livro "A vingança dos analógicos" do jornalista canadense David Sax, retrata bem isso. A obra, mostra como o consumo do analógico voltou em muitos formatos como filme fotográfico, papel, vinil, entre outros. O autor acredita que isso está acontecendo porque essas experiências analógicas estão mais ligadas à nossa realidade, com todas as imperfeições e um prazer que não existe no mundo digital. Algumas marcas também já entenderam que esses novos consumidores buscam por mais realidade. A HP lançou recentemente, uma campanha que tem o objetivo de estimular o contato humano. Não se desconectando completamente do digital, mas equilibrando os dois mundos, para que haja harmonia.

É claro, que a tecnologia vai evoluir cada vez mais, mas é preciso que as empresas pensem que, para criar algo de fato diferente e que encante os consumidores, elas precisam pensar não só no produto em si, mas em toda a vivência que ele proporciona.

*Rogério Augusto é sócio fundador da Phosfato , clube de assinatura de revelação surpresa de fotos.

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