O que o Minecraft me ensinou sobre liderança ágil e paternidade
Por Yuri “Fly” Uchiyama |
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Se alguém me dissesse há alguns anos que eu, no meio da correria para fazer a empresa crescer, ficaria viciado em empilhar blocos virtuais, eu acharia improvável. A verdade é que entrei no Minecraft por uma necessidade prática de um pai empreendedor: é um dos raros jogos que permite colocar a partida em pausa quando o telefone toca com uma emergência de trabalho.
Foi sentado no sofá com o Lucca e a Clara que percebi algo profundo sobre como nos conectamos com a nova geração.
Crescemos ouvindo que o videogame isolava as pessoas e estragava a rotina. A realidade mudou essa percepção. A geração que passou a infância no Super Nintendo ou no primeiro PlayStation agora ocupa cargos de liderança e assume a criação dos filhos. Não encaramos o jogo como um vilão, mas como um idioma comum.
Games são ferramentas; conexão é o que importa
Dados da Entertainment Software Association (ESA) mostram que mais de 70% dos pais que jogam utilizam os games para passar tempo de qualidade com as crianças. A ESRB complementa o cenário: 67% dos pais jogam com os filhos pelo menos uma vez por semana. Isso não representa apenas o tamanho de uma indústria bilionária, mas a busca por um ponto de encontro neutro dentro de casa.
No dia a dia da empresa, defendo com frequência a cultura de teste contínuo: errar rápido, ajustar a rota e seguir em frente sem desgaste desnecessário. Quando sento no tapete da sala para jogar no modo cooperativo, a lógica é idêntica. A gente erra junto, cai da plataforma, perde a partida e dá risada do tropeço. Ali, meu papel de liderança fica na porta do quarto. Ninguém é CEO, ninguém é o dono da verdade. Somos apenas parceiros tentando resolver um problema com as ferramentas disponíveis.
No ambiente de negócios, costumo dividir os caminhos entre decisões reversíveis e irreversíveis. Perder uma fase no videogame é o exemplo perfeito de uma decisão reversível. As crianças aprendem na prática que o erro faz parte do processo. Elas entendem que é possível tentar novamente, rever a estratégia e voltar mais espertas na rodada seguinte. A experiência prática no controle enquanto tentamos passar juntos pelo mesmo desafio vale mais do que qualquer discurso sobre resiliência.
Empresas, plataformas e consoles são apenas ferramentas. CNPJ não tem coração e algoritmos não criam laços reais. O que transforma tecnologia em valor de verdade é a qualidade da conexão humana que construímos através dela.
Não sei exatamente como vai ser o mercado de tecnologia daqui a dez ou vinte anos, e duvido de quem diz que sabe com certeza absoluta. Mas sei que o tempo com o Lucca e com a Clara voa num piscar de olhos. Se a tecnologia nos dá a chance de sentar lado a lado, dar risada dos nossos próprios erros e criar memórias que eles vão levar para a vida toda, então o jogo já valeu a pena.
Você também passava horas jogando alguma coisa quando era mais jovem? Entenda como seu cérebro foi moldado pelos jogos que você jogou na infância.