Publicidade

O que o Minecraft me ensinou sobre liderança ágil e paternidade

Por  | 

Compartilhe:
crianças jogando videogame nintendo switch
Unsplash/Kelly Sikkema

Se alguém me dissesse há alguns anos que eu, no meio da correria para fazer a empresa crescer, ficaria viciado em empilhar blocos virtuais, eu acharia improvável. A verdade é que entrei no Minecraft por uma necessidade prática de um pai empreendedor: é um dos raros jogos que permite colocar a partida em pausa quando o telefone toca com uma emergência de trabalho. 

Continua após a publicidade

Foi sentado no sofá com o Lucca e a Clara que percebi algo profundo sobre como nos conectamos com a nova geração. 

Crescemos ouvindo que o videogame isolava as pessoas e estragava a rotina. A realidade mudou essa percepção. A geração que passou a infância no Super Nintendo ou no primeiro PlayStation agora ocupa cargos de liderança e assume a criação dos filhos. Não encaramos o jogo como um vilão, mas como um idioma comum. 

Games são ferramentas; conexão é o que importa

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Dados da Entertainment Software Association (ESA) mostram que mais de 70% dos pais que jogam utilizam os games para passar tempo de qualidade com as crianças. A ESRB complementa o cenário: 67% dos pais jogam com os filhos pelo menos uma vez por semana. Isso não representa apenas o tamanho de uma indústria bilionária, mas a busca por um ponto de encontro neutro dentro de casa. 

No dia a dia da empresa, defendo com frequência a cultura de teste contínuo: errar rápido, ajustar a rota e seguir em frente sem desgaste desnecessário. Quando sento no tapete da sala para jogar no modo cooperativo, a lógica é idêntica. A gente erra junto, cai da plataforma, perde a partida e dá risada do tropeço. Ali, meu papel de liderança fica na porta do quarto. Ninguém é CEO, ninguém é o dono da verdade. Somos apenas parceiros tentando resolver um problema com as ferramentas disponíveis

No ambiente de negócios, costumo dividir os caminhos entre decisões reversíveis e irreversíveis. Perder uma fase no videogame é o exemplo perfeito de uma decisão reversível. As crianças aprendem na prática que o erro faz parte do processo. Elas entendem que é possível tentar novamente, rever a estratégia e voltar mais espertas na rodada seguinte. A experiência prática no controle enquanto tentamos passar juntos pelo mesmo desafio vale mais do que qualquer discurso sobre resiliência. 

Empresas, plataformas e consoles são apenas ferramentas. CNPJ não tem coração e algoritmos não criam laços reais. O que transforma tecnologia em valor de verdade é a qualidade da conexão humana que construímos através dela

Não sei exatamente como vai ser o mercado de tecnologia daqui a dez ou vinte anos, e duvido de quem diz que sabe com certeza absoluta. Mas sei que o tempo com o Lucca e com a Clara voa num piscar de olhos. Se a tecnologia nos dá a chance de sentar lado a lado, dar risada dos nossos próprios erros e criar memórias que eles vão levar para a vida toda, então o jogo já valeu a pena.

Você também passava horas jogando alguma coisa quando era mais jovem? Entenda como seu cérebro foi moldado pelos jogos que você jogou na infância.