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Após taxa variável, apps de transporte testam modelo com pagamento antecipado

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Unsplash/Dan Gold
Unsplash/Dan Gold

*Por Vinícius Guahy

A remuneração dos motoristas de aplicativo voltou ao centro do debate, mas o impasse nunca foi apenas sobre porcentagens. O ponto crítico é a previsibilidade. Em um modelo em que a renda varia diariamente, saber quanto se ganha por corrida ainda é uma das maiores incertezas.

Até 2018, essa conta era mais transparente. A Uber operava com taxa fixa de 25% no UberX e 20% no Black. A mudança para um sistema variável, baseado em tempo e distância, alterou esse equilíbrio de forma silenciosa. O valor pago pelo passageiro deixou de ser referência direta para o ganho do motorista. Segundo a empresa, corridas curtas passaram a concentrar taxas maiores; as longas, menores. Na prática, a remuneração se descolou do preço.

A Uber afirma que a taxa média semanal gira em torno de 25%. Motoristas e associações contestam. Mas a divergência não é apenas numérica. O problema está na dificuldade de antecipar ganhos, o que afeta planejamento, jornada e até a decisão de quando rodar. Sem clareza, o motorista trabalha mais para compensar incertezas.

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A busca por regras mais claras

É nesse contexto que Uber e 99 passam a testar novos formatos em cidades como Divinópolis, Imperatriz, Cascavel e Teresina. A proposta permite ao motorista pagar antecipadamente, por um período de 24 horas a sete dias, para ficar com 100% do valor das corridas. A mudança atende a uma demanda antiga por previsibilidade, mas desloca o risco. Se a demanda não vier, o prejuízo deixa de ser compartilhado.

O modelo, no entanto, não é exatamente novo. Aplicativos regionais já operam com mensalidade, recarga ou taxas fixas. Em comum, a tentativa de tornar a cobrança compreensível. Em mercados menores, onde a confiança pesa tanto quanto o volume de chamadas, transparência é um diferencial competitivo.

Não por acaso, o tema apareceu no debate regulatório. O PLP 152 chegou a propor limite de 30% por corrida. O projeto não avançou, mas expôs o centro da questão. No fim, mais do que o percentual, o que está em disputa é a confiança. Em um setor de renda instável, a previsibilidade atrai e fideliza motoristas. 

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