Sessão do filme “Coringa” tem confusão com homem armado em Pernambuco

Por Rafael Arbulu | 04 de Outubro de 2019 às 13h10
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O filme Coringa aborda bem a questão da depressão humana e quais os mecanismos extremos algumas pessoas estão dispostas a tomar para escapar dela. Mas parece que certas pessoas andam levando a ficção a sério demais: segundo informações do G1, uma sessão do filme na sala de cinema do Plaza Shopping de Recife, Pernambuco, acabou sendo abandonada por algumas pessoas assustadas.

Isso porque um homem que acompanhava a sessão estava exibindo comportamento bastante similar ao do personagem que protagoniza o filme: tal qual o Coringa, o indivíduo, que não teve seu nome divulgado, por ora dava risadas em tom aterrorizante. Relatos de pessoas no local ainda indicam que ele estava armado e com uma garrafa de uísque em mãos, mas isso não foi confirmado.

Joaquim Phoenix no papel de Coringa (Imagem: Divulgação/Warner Bros)

Segundo a assessoria de imprensa do Plaza Shopping, o homem foi abordado pela equipe de segurança local e orientado, após revista, a permanecer em silêncio durante a exibição do filme. A sessão não precisou ser cancelada e prosseguiu normalmente, mas o shopping informou que as pessoas que abandonaram o filme tiveram suas entradas revalidadas, para poder assistí-lo quando lhes for conveniente.

Segundo Manu Falcão, uma estudante de jornalismo que postou o caso em seus perfis nas redes sociais, "Várias pessoas começaram a sair, algumas delas, correndo. Diziam que o cara estava armado e com uma garrafa de uísque. O personagem tem uma condição que faz com que ele ria bastante e o homem reproduzia essas risadas. Ele ficava ameaçando as pessoas e incomodando todo mundo".

A estudante ainda comentou que estava à frente do indivíduo, separados por algumas fileiras: “Foi um 'telefone sem fio'. Quem estava perto dele podia ver o que estava acontecendo, mas quem estava perto da tela não fazia ideia. Por isso, muita gente correu e houve tumulto".

Incentivo à violência?

O filme Coringa se vale de uma das inúmeras possíveis origens do vilão homônimo da DC Comics e arquirrival do Batman. Na película, o palhaço de rua e comediante desacreditado Arthur Fleck entra em forte depressão por uma sociedade que não o valoriza, independente do que ele tenta fazer. Aliado a isso, problemas em sua vida pessoal fazem com que a sua psique se rache e ele adote a figura do “Príncipe Palhaço do Crime” de Gotham City.

A narrativa não foi unânime em sua recepção nos EUA: segundo duas matérias veiculadas pela BBC, parentes de vítimas de atentados domésticos com armas de fogo criticaram e protestaram contra o filme, alegando que ele poderia servir de incentivo justificável para que pessoas cometessem atos criminosos.

(Imagem: Divulgação/Warner Bros)

O diretor do filme, Todd Phillips; e o ator que vive o Coringa, Joaquim Phoenix, comentaram sobre as preocupações relatadas por algumas pessoas: "Para mim, acredito, não seria uma coisa boa colocar as implicações reais da violência em um filme? Não é bom tirar o elemento cartunesco da violência à qual nós nos tornamos tão imunes? Eu admito que fiquei meio surpreso quando isso tomou tal direção, de que tudo parece irresponsável, porque, para mim, me parece ser muito responsável fazer com que [o filme] seja bem realista e fazer com que ele tenha peso e consequências”, disse Phillips ao Hollywood Reporter.

Já Phoenix apontou que sua família leu o roteiro do filme, sem exibir as mesmas preocupações: “Eu mostrei o material para minhas irmãs e minha mãe. Minha família toda o leu e tivemos inúmeras discussões sobre isso. Antes mesmo de eu ler o roteiro, Todd me mostrou vídeos de pessoas tendo esses surtos incontroláveis de gargalhadas. Obviamente, o personagem Coringa é icônico, e todos meio que imaginaram como ele seria ou deveria ser [neste filme], e eu acho que essa foi uma forma realmente inteligente de abordar essa risada. Ela provavelmente informa ao espectador sobre como eu fiz a minha pesquisa do personagem e como o criamos”.

(Imagem: Divulgação/Warner Bros)

Phoenix refere-se à icônica risada do vilão, que, dentro do filme Coringa, foi reimaginada como uma condição de doença mental — algo que existe na realidade, aliás: o chamado “efeito pseudobulbar” é um distúrbio neurológico que faz com que a vítima perca totalmente o controle sobre suas emoções, manifestando-se como crises de riso ou de choro.

Coringa já estreou e segue em exibição em salas de cinema por todo o Brasil.

Fonte: G1; BBC; BBC Brasil; Hollywood Reporter

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