Netflix reabre famoso cinema de rua em Nova Iorque para estreias exclusivas

Por Claudio Yuge | 25 de Novembro de 2019 às 20h30
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Inicialmente criticada por um grande parte da indústria do cinema, a Netflix tem realizado grandes feitos para se aproximar da comunidade mais tradicional no setor. Nas últimas temporadas, vem investindo também em grandes filmes e diretores, o que trouxe estatuetas no Oscar, e recentemente entrou para a Motion Picture Association of America (MPAA). Há alguns meses flertou com a possibilidade de comprar o Egyptian Theatre, em Los Angeles, e agora realiza uma aquisição semelhante com o famoso cinema de rua Paris Theater, em Nova Iorque.

A Netflix fez o anúncio nesta segunda-feira (25) e adiantou que a ação faz parte dos planos de entrar no ramo distribuição em salas de exibição, mas somente para exibir seus próprios filmes em estreias exclusivas. A mudança vem em um momento estratégico para o serviço de streaming, pois tanto as redes AMC Theaters quanto a Regal se recusaram a cumprir as datas de lançamento dos filmes originais da Netflix.

Assim como diversos cinemas de rua em todo o mundo, o Paris Theater havia encerrado as portas em agosto e foi reaberto temporariamente pela Netflix para História de um Casamento, novo filme de Noah Naumbach (Frances Ha), com Scarlett Johansson e Adam Driver. Agora, "a empresa planeja usar o teatro para eventos especiais, exibições e apresentações de seus filmes", segundo o comunicado.

(Imagem: Divulgação/Netflix)

Os termos do contrato e os valores não foram divulgados. Mas isso aumenta a possibilidade de o Egyptian Theatre entrar em breve nesse esquema, pois seria um outro importante e icônico espaço, justamente no grande centro cinematográfico do país. Segundo fonte da Variety, a sala de exibição em Los Angeles serviria mais como um “espaço de eventos”, grandes lançamentos exibições de prêmios e recepções de coquetéis.

Maior foco para os filmes

Basta dar uma rápida olhada sobre o que vem fazendo mais barulho na Netflix ultimamente para notar uma mudança no foco do investimento da companhia nas últimas temporadas — e no futuro da empresa. Aliás, o quarto trimestre deve trazer muita atenção, especialmente com a chegada de The Irishman, de Martin Scorsese; o retorno de Eddie Murphy, com Dolemite is my Name; o blockbuster Esquadrão 6, dirigido por Michael Bay, com Ryan Reynolds; entre outros, a exemplo do já citado História de um Casamento, mais American Son, O Rei e The Two Popes.

Esse redirecionamento de verba faz parte da pressão que a Netflix aplica para alterar as janelas de exibição das maiores distribuidoras, a AMC e a Regal. A Netflix precisa que seus filmes sejam exibidos por pelo menos 21 dias em um cinema para angariar indicações ao Oscar, como aconteceu com Roma no ano passado.

Como a AMC e a Regal já possuem seus próprios calendários e, claro, querem manter as regras como atualmente são, elas dificultam a vida da Netflix, impondo janelas de estreia que, bem, não são muito atraentes para a plataforma de streaming. A posse de salas menores em todo o país poderia ajudar a Netflix a reproduzir seus próprios filmes pelo tempo que quisesse, além de lançar simultaneamente esses títulos no serviço de streaming. E é justamente isso que parece estar acontecendo.

Fonte: The Verge  

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