Coppola chama filmes da Marvel de “desprezíveis” e empresa responde na elegância

Por Rafael Arbulu | 21 de Outubro de 2019 às 12h50
(Imagem: Divulgação/Marvel)
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É difícil ignorar quando uma figura proeminente de uma indústria impõe adjetivos a seus congêneres: especialmente quando a “figura proeminente” é ninguém menos que Francis Ford Coppola — cinco vezes vencedor do Oscar e diretor da renomada trilogia O Poderoso Chefão (The Godfather) — os congêneres são “filmes da Marvel” e o adjetivo é “desprezível”.

Em seu discurso durante o recebimento do prêmio Lumiere, na França, Coppola endossou comentários feitos anteriormente pelo também icônico diretor Martin Scorsese, de que os filmes da Marvel “não são cinema”. Mas onde o homem responsável por Infiltrados e Taxi Driver foi polido em sua opinião, Coppola adicionou o seu ingrediente próprio:

"Quando Martin Scorsese diz que os filmes da Marvel não são cinema, ele está certo pois esperamos aprender algo do cinema, esperamos ganhar alguma coisa, alguma clareza, algum conhecimento, alguma inspiração. Eu não sei se alguém ganha alguma coisa de ver o mesmo filme de novo e de novo. Martin foi gentil ao dizer que [os filmes] não são cinema. Ele não disse que eles são desprezíveis, o que eu simplesmente digo”.

Francis Ford Coppola, diretor de O Poderoso Chefão, não é muito fã de filmes de superherói (Foto: Acervo pessoal)

Evidentemente, a comunidade cinéfila moderna tomou as redes sociais tal qual um fogo florestal, emitindo opiniões em concordância e divergência com ambos os diretores. A Marvel, vendo a situação crescer, porém, tomou a saída mais elegante: o criador de Deadpool (o personagem, não o filme), Rob Liefeld, disse em seu perfil oficial no Twitter:

“Scorsese e Coppola estão no ‘Monte Rushmore’ do cinema. Eles mais do que fizeram por merecer para tecer suas visões sobre o mercado e suas opiniões não deveriam surpreender nem indignar. Elas não vão afetar a criação de filmes baseados em quadrinhos ou o seu aproveitamento deles”.

Scorsese and Coppola are on the cinematic Mt. Rushmore. They have more than earned their views on cinema and their opinions should not surprise or ignite. They won’t affect the creation of comic films or your enjoyment of them.

Já o diretor de Guardiões da Galáxia 1 e 2, que vai voltar para filmar o terceiro da série e ainda vai dirigir o reboot de Esquadrão Suicida, James Gunn, usou seu perfil no Instagram para minimizar a surpresa da comunidade com os comentários dos dois titãs do cinema:

“Muitos de nossos avós pensavam que todos os filmes de gângsteres eram iguais, comumente chamando-os de ‘desprezíveis’. Alguns de nossos tataravós pensavam o mesmo sobre faroestes, e acreditavam que filmes de John Ford, Sam Peckinpah e Sergio Leone eram todos iguais. Eu me lembro de um tio-avô meu para quem eu contei empolgadíssimo sobre Star Wars. Ele respondeu dizendo ‘Eu já vi esse quando se chamava 2001 e rapaz, como foi chato!’ Superheróis são hoje apenas o que eram os gângsteres/caubóis/aventureiros do espaço. Tal qual faroestes e filmes de gângsteres (e antes disso, apenas FILMES), nem todo mundo será capaz de apreciá-los, até mesmo alguns gênios. E está tudo bem nisso”.

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Many of our grandfathers thought all gangster movies were the same, often calling them “despicable”. Some of our great grandfathers thought the same of westerns, and believed the films of John Ford, Sam Peckinpah, and Sergio Leone were all exactly the same. I remember a great uncle to whom I was raving about Star Wars. He responded by saying, “I saw that when it was called 2001, and, boy, was it boring!” Superheroes are simply today’s gangsters/cowboys/outer space adventurers. Some superhero films are awful, some are beautiful. Like westerns and gangster movies (and before that, just MOVIES), not everyone will be able to appreciate them, even some geniuses. And that’s okay. ❤️

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Com ou sem a aprovação de Coppola ou Scorsese, é válido ressaltar que o universo cinematográfico da Marvel é o mais rentável da história dos cinemas, amealhando aproximados US$ 18 bilhões (pouco mais de R$ 74,4 bilhões) em 10 anos de franquia. O próximo compromisso da empresa — uma propriedade da Disney — nas telonas será o filme solo Viúva Negra, com previsão de estreia em 1º de maio de 2020.

Fonte: Agência France Presse

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