'Animais falantes' dão surra em super-heróis no cinema em 2016

Por Gustavo Rodrigues | 09 de Setembro de 2016 às 17h42

Os fãs de cinema estavam animados no começo de 2016 para a grande quantia de blockbusters que estreariam durante o ano. Novos longas de super-heróis, confrontos de grandes ícones da cultura pop, sequências de animações adoradas, remakes de franquias clássicas e até mesmo o possível longa que quebraria a maldição das adaptações de games. Entretanto, até agora o resultado final não é tão agradável quanto os cinéfilos esperavam, principalmente em relação aos longas baseados em HQs. Nadando contra a maré, os animais falantes caíram no gosto popular e da crítica, rendendo muito mais lucro do que os estúdios poderiam esperar.

Deadpool foi o primeiro dos longas baseados em super-heróis a invadir os cinemas em 2016, e até agora é o mais surpreendente entre eles. A produção era uma das grandes incógnitas por tanto tempo que o projeto ficou preso nas mãos do estúdio. Com apenas US$58 milhões de orçamento, quantia que era maior antes de cortes obrigatórios no roteiro, o filme do Mercenário Tagarela chegou ao incrível número de US$782 milhões de bilheteria, tornando-se o produto mais rentável do universo mutante nos cinemas. Contudo, não se pode esquecer os gastos que o marketing teve para tornar Deadpool algo que dominaria os comentários da Internet antes do seu lançamento. Com propagandas inteligentes e engraçadas, o público já estava preparado para o que veria na telona e assim abraçou o irreverente roteiro que combina com o material de origem. Ryan Reynolds, ator que interpreta o protagonista e que colocou dinheiro do próprio bolso para que a produção não fosse controlada pelos engravatados do estúdio, se manteve no papel do personagem até mesmo na divulgação do Bu-Ray.

Capitão América: Guerra Civil é outro sucesso dos super-heróis em 2016, dominando o topo da bilheteria até o momento. Com custo de 250 milhões, a cisma entre Capitão América e Homem de Ferro já arrecadou cerca de US$1.152 bilhão para os cofres de Disney e Marvel Studios. Entretanto, nem tudo é maravilha para as adaptações dos quadrinhos. X-Men: Apocalipse é totalmente esquecível e ficou bastante abaixo do esperado pela 20th Century Fox, arrecadando aproximadamente US$543 milhões para o orçamento de US$178 milhões.

Deadpool Valentine's Day

Mas foram as adaptações da DC Comics pelas mãos da Warner Bros. que não atingiram as expectativas. O estúdio tentou implementar rapidamente o universo compartilhado da editora nas telonas e acabou tropeçando nas próprias pernas. Os engravatados da empresa esperavam chegar a casa do bilhão com o confronto de Homem-Morcego e Filho de Krypton, mas o longa somou US$872 milhões para os US$250 milhões de orçamento. Além de não arrecadar o que se esperava, Batman v Superman: A Origem da Justiça não foi bem visto por crítica e público, assim aumentando a pressão nas produções seguintes da Warner.

O insucesso da produção fez com o próprio estúdio fizesse mudanças nos planos que tinha para Esquadrão Suicida, o que aumentou o orçamento inicial de US$175 milhões. Atualmente, a bilheteria do filme atingiu US$678 milhões, mas devido ao grande marketing e as regravações, é necessário chegar aos US$800 milhões para que a produção realmente consiga se pagar.

Com cinco longas lançados, os filmes de super-heróis alcançaram aproximadamente US$4.030 bilhões e estão presentes entre os 10 filmes com maior bilheteria do ano. Capitão América: Guerra Civil em primeiro, Batman v Superman: A Origem da Justiça na quinta posição, Deadpool na sequência, Esquadrão Suicida em oitavo e X-Men: Apocalipse fechando a lista.

Zootopia

Apesar da grande marca dos personagens de DC e Marvel, quem realmente deixa os estúdios felizes são as produções com animais falantes, sejam animações ou atuações por captura de movimento. Zootopia era pouco comentado no começo do ano e atualmente parece o melhor blockbuster de 2016, fazendo jus ao US$1 bilhão de dólares arrecadado com apenas US$150 milhões de orçamento. O longa não deve chegar à bilheteria de Frozen: Uma Aventura Congelante, última animação da Disney a fazer tanto sucesso, entretanto não tem o apelo popular que Elsa conseguiu com uma música.

A Disney também acertou a mão ao transformar as histórias de Mogli num live-action cheio de captura de movimento. O filme dirigido por Jon Favreau custou US$175 milhões e tem cerca de US$964 milhões arrecadados. Ainda na casa do Mickey Mouse, Procurando Dory mostrou que a Pixar é capaz de fazer boas sequências de seus longas clássicos, assim levando até quem duvidava do potencial da continuação para o cinema, assim somando US$945 milhões para um orçamento de US$175 milhões.

Além da Disney, Universal e Fox também ficaram contentes com o desempenho que seus animais falantes tiveram nas telonas. Pets - A Vida Secreta dos Bichos, que foi lançado recentemente, já alcançou a marca de US$767 milhões, o que é um ótimo retorno para os US$75 milhões de orçamento. Kung Fu Panda é o menor caso de sucesso entre todos eles, com apenas US$519 milhões de bilheteria para os US$145 milhões gastos. Em compensação, esta é a única franquia da lista que já não parece ter recursos capazes de renovar sua história.

Com a mesma quantia que os filmes de super-heróis, as produções baseadas em animais falantes custaram menos e arrecadaram mais, chegando à soma de US$4.219 bilhões. Assim como os personagens de quadrinhos, os bichos também são influentes na lista de maiores bilheterias do ano. Zootopia é o vice, seguido por Mogli: O Menino Lobo e Procurando Nemo. Pets é o sétimo, mas ainda tem bastante tempo para ficar em cartaz. Kung Fu Panda é o décimo primeiro.

Hank - Procurando Dory

Apesar dos dois "subgêneros" terem alcançado uma grande quantia de bilheteria, os super-heróis possuem um marketing muito maior do que as animações com bichos. Deadpool, Guerra Civil e Esquadrão Suicida geraram muito mais falatório devido às participações das estrelas nos programas de televisão, trailers e propagandas. Enquanto do outro lado não há tanto marketing envolvido para que a produção alcance o grande público com facilidade.

Outra circunstância que precisa ser ressaltada é que os filmes de super-heróis não têm a mesma qualidade que os longa de animais falantes. Em vários aspectos, as produções com bichos produzem histórias com roteiros sem tantos furos de roteiro, motivações mais coerentes e temas bem mais adultos, mesmo que consigam atingir o público infantil com mais eficiência do que Batman v Superman: A Origem da Justiça.

Ainda há grandes blockbusters para serem lançados em 2016. O primeiro spin off da franquia Harry Potter, Animais Fantásticos e Onde Habitam, a estreia do Doutor Estranho nas telonas e a volta de Darth Vader às telonas em Rogue One: Uma História Star Wars. Os três tendem a dar muito dinheiro aos estúdios por causa da base de fãs gigantesca que possuem. Sing: Quem Canta Seus Males Espanta é a animação que chega em dezembro colocando os animais para cantar, afinal vê-los falando já se tornou muito comum.

Não há uma conclusão precisa que esclareça porque filmes com animais falantes conseguem um desempenho superior aos super-heróis, principalmente quando eles são o produto da moda nas telonas. Talvez a saturação do formato de história não conquiste mais o público geral e os bichos tenham longas com narrativas muito melhores, o que leva pessoas de diversas idades ao cinema. No final das contas, na Guerra Civil entre animais e vigilantes, quem beijou a lona foram os personagens de Marvel e DC.

Fonte: Business Insider, New York Times, <a href="https://www.thestreet