Vacina experimental contra vírus da zika apresenta sucesso em macacos

Por Redação | 22.09.2016 às 19:54 - atualizado em 22.09.2016 às 23:36

Uma boa notícia no campo da ciência e da saúde: novos testes realizados em primatas com uma candidata a vacina contra o vírus da zika mostraram resultados satisfatórios. A droga foi desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), dos Estados Unidos, e trabalha em nível de DNA do patógeno.

A fase experimental dos testes consistia de aplicação em duas doses, e os resultados foram supreendentes: 17 primatas, de um total de 18, receberam imunização total contra o vírus após a injeção da vacina, que se baseia em um DNA que codifica duas proteínas exclusivas do vírus da Zika. Dessa forma, o organismo responde com uma resposta imune quase imediata.

Segundo os pesquisadores envolvidos, os resultados dos testes laboratoriais foram tão significativos que uma nova fase da pesquisa irá envolver seres humanos em testes clínicos. O propósito do estudo é definir os níveis mínimos de anticorpos no sangue para total imunização contra o vírus.

A prevenção em forma de vacina, aliás, é vista pelos cientistas do NIH como a melhor saída para conter os avanços da doença e controlar epidemias e suas consequências na população, como a microcefalia em bebês humanos, que aflige gestantes em zonas de risco, como o nordeste brasileiro.

Uma brasileira no projeto

A pesquisadora brasileira Leda Castilho integra a equipe de cientistas do NIH nas buscas por uma solução à doença, e revela que a nova vacina utiliza um anel de DNA (plasmídeo) como vetor. Esse plasmídeo contém dois genes capazes de codificar uma proteína da membrana e outra do envelope do vírus.

Segundo ela, ao injetar a droga no macaco, o organismo dele é que passa a sintetizar as proteínas, para daí criar partículas subvirais (que são os invólucros dos vírus vazios, ou seja, sem o seu material genético). O organismo, então, passa a identificar estas partículas e produzir anticorpos em larga escala.

No estudo foram utilizados 30 macacos rhesus. Os que receberam apenas uma dose da vacina não apresentaram proteção efetiva contra o vírus, apesar de terem tido suas cargas virais reduzidas.

Fonte: Science, via Voice of America, Exame