Rochas australianas indicam que vida na Terra começou há 3,5 bilhões de anos

Por Daniele Cavalcante | 02 de Outubro de 2019 às 08h15
UNSW SYDNEY

Uma nova descoberta acaba de fornecer pistas importantes sobre a origem da vida na Terra. Uma equipe de pesquisadores encontrou restos microbianos excepcionalmente preservados em algumas das rochas mais antigas da Terra no oeste da Austrália - os estromatólitos (estruturas microbianas fossilizadas) da antiga Formação Dresser, na região de Pilbara. Isso parece ser uma evidência indiscutível de vida microbiana com uma idade de 3,5 bilhões de anos.

A ideia de que a vida na Terra tem cerca de 3,5 bilhões de anos é apoiada por muitos cientistas há algum tempo, mas com a nova descoberta os pesquisadores têm fortes evidências para sustentar essa afirmação. Agora restam poucas dúvidas de que os micróbios povoam nosso planeta bilhões de anos antes de começarmos a andar por aqui - estima-se que a nossa espécie tem apenas 350 mil anos.

Acredita-se que os estromatólitos sejam de origem biogênica desde que foram descobertos na década de 1980. No entanto, apesar das fortes evidências, essa teoria não foi comprovada durante essas quatro décadas de estudos sobre o material. É que os cientistas ainda não haviam conseguido mostrar a presença definitiva de matéria orgânica preservada nas rochas. No entanto, isso acaba de mudar com a publicação do novo estudo na revista Geology.

O principal pesquisador do estudo, Raphael Baumgartner, disse que "esta é uma descoberta emocionante - pela primeira vez, somos capazes de mostrar ao mundo que esses estromatólitos são evidências definitivas da vida primitiva na Terra". De acordo com o professor Martin Van Kranendonk, da University of New South Wales, "isso representa um grande avanço em nosso conhecimento dessas rochas, na ciência das investigações do início da vida em geral e - mais especificamente - na busca pela vida em Marte".

Vida em Marte?

Há pouco mais de dois anos, a colega do Dr. Baumgartner, Tara Djokic, encontrou estromatólitos em depósitos de fontes termais na mesma região da Austrália. Os cientistas dizem que os dois estudos estão ajudando a responder a uma pergunta central: de onde veio a humanidade? "Entender onde a vida poderia ter surgido é realmente importante para entender nossa ancestralidade. E a partir daí, poderia nos ajudar a entender onde mais a vida poderia ter ocorrido - por exemplo, onde foi iniciada em outros planetas", diz Baumgartner.

No mês passado, cientistas da NASA e da Agência Espacial Européia (ESA) passaram uma semana em Pilbara com Kranendonk para treinamento especializado na identificação de sinais de vida nessas mesmas rochas antigas. Foi a primeira vez que Van Kranendonk compartilhou essas ideias com uma equipe de especialistas em Marte. "É profundamente gratificante que as rochas antigas da Austrália e nosso conhecimento científico estejam dando uma contribuição tão significativa à nossa busca por vida extraterrestre e revelando os segredos de Marte", diz o professor.

Fonte: EurekAlert

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