RoboCop da vida real | Cérebros análogos aos humanos são conectados a robôs

Por Rafael Rodrigues da Silva | 02 de Setembro de 2019 às 21h00
Pixabay

Pelo jeito, estamos cada vez mais próximos do futuro mostrado pelo filme RoboCop. Isso porque cientististas na Estação Espacial Internacional (ISS) estão implantando “mini-cérebros” em pequenos robôs-aranha para estudar a atividade cerebral desses análogos ao cérebro humano.

Esses organóides foram desenvolvidos pelo biólogo Alysson, Muotri, da Universidade da Califórnia (EUA), a partir de células-tronco, e então embalados e enviados para o espaço. Só que, de acordo com o que Muotri revelou para o The New York Times, as células se replicaram numa velocidade impressionante, e o time de pesquisadores da ISS descobriu que esses organóides agora estão emitindo complexos padrões de atividade cerebral similares aos encontrados no cérebro de bebês prematuros.

A descoberta bizarra pegou a todos de surpresa - nenhuma das partes envolvidas no experimento esperava que os organóides se desenvolvessem até alcançar capacidade similar ao de um cérebro humano -, e pode forçar os cientistas a repensarem todas as limitações técnicas e éticas de se criar órgãos humanos em laboratório.

É que tudo isso pode significar que os cientistas descobriram um modo de se criar organismos pelo menos parcialmente conscientes em laboratório, algo que até então nunca passou de uma hipótese teórica e que só existia em histórias de terror ou de ficção científica.

Até então, a vantagem desses “mini-cérebros” organóides era a de ajudar no estudo no cérebro humano, pois, apesar de funcionarem de forma semelhante, as interações entre os neurônios ali seriam muito mais simples de entender. Mas, de acordo com um estudo de Muotri publicado na última quinta (28) do periódico Cell, isso pode já não ser mais uma realidade. Segundo a publicação, o cientista já não tem mais a mesma certeza de que esses organóides nunca irão atingir um estado de consciência, pois o estudo sugere que o funcionamento é muito mais complexo do que inicialmente imaginavam.

Essa descoberta cria um novo dilema ético para todo o experimento, pois, se essa atividade cerebral é um sinal de que os organóides desenvolveram consciência, continuar com o experimento pode significar que os cientistas estão criando e destruindo uma forma de vida análoga à humana. Mas, de acordo com o biólogo Giorgia Quadrato, da Universidade do Sul da Califórnia (EUA), esse ainda não é o caso. Mesmo que não faça parte da equipe que fez a descoberta, a revisão dos resultados mostra que a atividade desses “mini-cérebros” ainda está aquém da humana, mesmo na comparação com um bebê não completamente desenvolvido.

Fonte: Futurism

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