Químicos anunciam que estão perto de criar vida em laboratório

Por Redação | 19 de Julho de 2019 às 17h04

A ciência está cada vez mais perto de dar outro passo muito importante para a humanidade: provar, na prática, como a vida realmente surgiu, reproduzindo esse processo dentro de um laboratório. Pelo menos, é isso o que defendem os três químicos da University College, de Londres, Matthew Powner, Pierre Canavelli e Saidul Islam, em entrevista à Nature. A proposta da equipe é verificar como a vida surgiu utilizando elementos químicos da Terra primitiva, como hidrogênio, carbono e enxofre.

“Acredito que estamos a uns cinco ou dez anos de criar uma protocélula funcional”, explica Matthew Powner, durante a entrevista. Por sua vez, o bioquímico espanhol Juli Peretó, da Universidade de Valência, também já trazia esse assunto em pauta durante entrevistas, como uma concedida em 2015 para revista Mètode, em que ele traz o possível impacto que esse passo que a ciência está tentando tomar pode causar na humanidade: “Seria a prova definitiva de que a vida emerge da química e que não é preciso recorrer a nenhuma força sobrenatural”.

Criação da vida em laboratório

A ciência vem tentando, desde o fim da década de 50, fabricar um dos ingredientes essenciais para os seres vivos: os peptídeos, o que pode ser resumido a uma cadeia de aminoácidos. Entretanto, durante os experimentos, os químicos não têm tido êxito, uma vez que suas sopas artificiais de água com aminoácidos não estavam formando os peptídeos. 

Participe do nosso Grupo de Cupons e Descontos no Whatsapp e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Um diferencial da equipe britânica formada por Powner, Canavelli e Islam é que eles conseguiram provar que os peptídeos poderiam ter surgido sem a necessidade de aminoácidos. O segredo seria a  aminonitrila, uma espécie de precursora dos aminoácidos. “Estamos perto de chegar ao fim do princípio: sintetizar as moléculas funcionais da vida. O passo seguinte será integrar estas moléculas em um sistema”, explica Powner, autodeclarado discípulo de John Sutherland, um dos cientistas mais respeitados nos estudos da origem química da vida. 

De acordo com Juli Peretó, os cientistas não estão longe, no sentido conceitual, de criar vida em laboratório. "A polêmica pode estar no que consideramos que está vivo”. Entretanto, o bioquímico espanhol também fala que ainda falta muito para a criação de uma célula a partir de elementos químicos presentes na Terra primitiva. “Outro componente essencial seria a membrana celular, e ainda há poucas propostas sobre como teria se formado”, completa.

Cientistas opinam nos estudos da equipe britânica

Para o bioquímico Juan Antonio Aguilera, da Universidade de Granada, o estudo realizado pelos químicos da University College de Londres "não resolve a questão de como apareceram os primeiros seres vivos, mas contribui para abrir o caminho para entender o que pode ter ocorrido, que é um dos maiores desafios da biologia e da ciência em geral. Para alguns, é o maior desafio.”

Por outro lado, o pesquisador Iñaki Ruiz-Trillo, do Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona, define o estudo dos britânicos como “impressionante”. Iñaki declara: “Talvez também poderia indicar que certas condições adequadas na Terra já foram capazes de permitir a formação de peptídeos, sem necessidade de pensar em nada que venha de outros lugares”.

Sendo assim, resta esperar e acompanhar os passos que a ciência está dando, desde 60 anos atrás, para não só provar o surgimento da vida como também reproduzir o processo in vitro.

Fonte: Nature via El País 

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.