Prêmio Nobel da física vem ao Brasil conferir pesquisas sobre grafeno no Inmetro

Por Patrícia Gnipper | 05 de Setembro de 2019 às 16h15

Nesta sexta-feira (6), o físico russo Konstantin Novoselov desembarca no Brasil, especificamente em Xerém (Rio de Janeiro), para conferir de perto os experimentos inovadores com grafeno que vêm sendo conduzidos no Campus de Inovação e Metrologia do Inmetro. O instituto, por sinal, possui um dos mais bem equipados e modernos centros de microscopia eletrônica da América do Sul, além de laboratórios de caracterização físico-química dos materiais.

O físico vem para cá para "fechar algo grande" relacionado ao grafeno, mas o que é exatamente este "algo grande" ainda não sabemos. Mas podemos apostar em algum tipo de avanço significativo, pois o grafeno é considerado o "material do futuro" e o Brasil tem a maior reserva mundial de grafite, ao lado da China e do Canadá. E o grafeno é produzido a partir do grafite, com incríveis propriedades físicas com potencial de grande revolução na indústria, incluindo substituição do plástico, do aço e do silício. É que o grafeno é altamente resistente, porém leve e flexível, além de ter alta condutibilidade em componentes eletrônicos (como os chips, por exemplo).

A imagem mostra camadas de grafeno sobre plástico, material usado no desenvolvimento de janelas inteligentes, lâmpadas mais eficientes, telas de TVs e celulares flexíveis (Foto: Inmetro)

E, bem, o Inmetro é referência quando o assunto são pesquisas de grafeno em nosso país. O instituto, por meio de sua Divisão de Metrologia de Materiais (Dimci/Dimat), é um dos principais centros brasileiros quando o assunto são avanços com grafeno, contando com parcerias com universidades e outras instituições para o desenvolvimento de suas pesquisas.

Contudo, para que o grafeno comece a ser utilizado em ampla escapa, ainda há importantes desafios a serem superados, a começar pela padronização do material. De acordo com Joyce Araújo, pesquisadora da Dimat, "falta material de referência para que [o grafeno] seja comercializado em larga escala, e isso passa por pesquisas para identificar quais são as técnicas mais adequadas que devem ser utilizadas para garantir as propriedades desejadas". Além disso, o material precisa não somente ter qualidade garantida, como também sua produção precisa acontecer em grande quantidade para aplicações industriais.

Essa imagem cheia de grafismo é um nano-origami, uma dobra feita e registrada com microscópio de força atômica (AFM) em uma folha de grafeno com espessura de 0.3 nm (Foto: Inmetro)

No momento, o Inmetro concentra em sua Divisão de Metrologia de Materiais algumas linhas principais de pesquisa com o grafeno, entre elas estudos relacionados a dispositivos eletrônicos, sensores de pressão, nanocompósitos e sensores eletroquímicos para fármacos. E o domínio que o Inmetro tem da produção e purificação do grafeno chama a atenção de outras instituições interessadas em firmar parcerias para que, com a união de forças, o desenvolvimento do material aconteça. "A interação é benéfica. Temos parceiros em grafeno, não os vejo como grupos concorrentes”, declarou Joyce.

O físico Konstantin Novoselov ficou famoso por seus trabalhos na descoberta do grafeno, ao lado de Andre Geim. Ele é membro de grupos de pesquisa em física na Universidade de Manchester e também na Royal Society, no Reino Unido, e ganhou o prêmio Nobel de Física em 2010 ao lado de Geim por conta de seus experimentos inovadores relacionados ao material revolucionário

Desenhando sobre grafeno: detalhe da superfície do grafeno com linhas nanométricas encravadas (Foto: Inmetro)
Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.