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Perderemos um segundo na contagem do tempo em 10 anos? E o que isso significa?

Por| Editado por Patricia Gnipper | 25 de Outubro de 2021 às 18h50

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SplitShire/Pixabay
SplitShire/Pixabay

Durante a primeira metade deste ano, a Terra girou um pouco mais rápido que o habitual, embora você nem tenha percebido. Essa diferença de milésimos de segundos na velocidade de rotação acompanhou a aceleração de 2020, ano em que o planeta bateu o recorde estabelecido em 2005. Mas isso faz alguma diferença para nós? Nem tanto — mas poderia fazer no futuro, se tais variações fossem ignoradas pelos cientistas.

A média de rotação terrestre é de 86.400 segundos, equivalente a 24 horas. Contudo, esse movimento astronômico do nosso planeta não é perfeito e pode variar de acordo com as oscilações no núcleo de ferro líquido e nos oceanos, por exemplo. O dia mais curto de 2020, que bateu o recorde de 2005, foi em 19 de julho, quando a rotação se completou com 1,4602 milissegundos a menos.

Para medir com precisão a passagem de milissegundos, os cientistas utilizam um relógio atômico com átomos congelados a uma temperatura muito próxima do zero absoluto. Mesmo com o movimento bastante reduzido das partículas (porque estão “congeladas”, ou seja, tiveram energia cinética “roubada”), os átomos oscilam entre dois níveis de energia a taxas de milhões de vezes por segundos.

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O césio, por exemplo, usado para definição bastante precisa de medição do tempo, tem átomos que oscilam 9.192.631.770 vezes entre os dois estágios a cada segundo. Ou, dito de outra forma, durante um segundo ocorrem precisamente 9.192.631.770 períodos desta radiação escolhida no átomo de Césio 133, e isso é totalmente independente da rotação da Terra. Como os átomos parecem se mover com maior precisão que o planeta, às vezes é necessário adicionar um segundo bissexto — ou um segundo adicional, em outras palavras.

Um segundo bissexto, no entanto, só será adicionado quando o tempo astronômico, baseado na rotação da Terra, se desvia do horário marcado pelos relógios atômicos em mais de 0,4 segundos. Isso é determinado por uma organização chamada Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra (International Earth Rotation and Reference Systems Service, ou simplesmente IERS), no Observatório de Paris. Os cientistas do IERS adicionaram um segundo bissexto a cada 18 meses em média desde 1972.

Voltando à rotação atual da Terra, entre 1º de julho a 30 de setembro, os dias ganharam 0,05 milissegundos a mais, em média, em relação ao ano de 2020. Isso significa que a rotação não está mais acelerando, embora ainda esteja um pouquinho mais rápida que o normal, o suficiente para haver necessidade de subtrair um segundo (o que nos deixaria com um segundo bissexto negativo) daqui a dez anos — se a velocidade permanecer como está agora. Nunca houve antes uma subtração de segundo bissexto na cronometragem internacional.

Mas qual será o impacto disso, na prática? Bem, essas mudanças são imperceptíveis durante uma vida humana, mas, se os relógios não fossem corrigidos nos momentos certos, em poucos séculos as diferenças entre o relógio e a posição da Terra seriam de vários dias. Em um mundo que depende das estações do ano bem definidas, haveria caos — como nos dias do Papa Gregório XIII, que se viu obrigado a pular os dias 5 a 14 de outubro de 1582 por causa de uma defasagem enorme no calendário vigente, que estava fora de sincronia com o ano astronômico em mais de uma semana.

As medições em relógios atômicos ultrassensíveis e precisos — como o relógio de itérbio, que tem uma variação estimada em menos de um segundo a cada 13,8 bilhões de anos — ainda precisam ser feitas, e comparadas ao movimento astronômico, porque esse tipo de coisa é muito difícil de prever. Os astrônomos até podem modelar simulações que preveem a velocidade de rotação da Terra nos próximos dois anos ou mais, porém há dificuldades para prever os próximos meses.

Fonte: Space.com