Nariz entupido? | Enxame de microrrobôs na narina pode tratar casos de sinusite
Por João Melo |

Pesquisadores de universidades da China e de Hong Kong desenvolveram um tratamento com microrrobôs que pode ser usado contra infecções nos seios nasais, como nos casos de sinusite. Os resultados foram publicados no dia 25 de junho na revista Science Robotics.
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Os pequenos robôs utilizados pelos cientistas no estudo têm espessura comparável à de um fio de cabelo humano e foram inseridos nos seios paranasais de animais como coelhos e porcos durante os testes pré-clínicos.
“Neste estudo, propomos um microrrobô fotocatalítico por meio de uma plataforma terapêutica assistida por fibra óptica guiada magneticamente, projetada especificamente para tratar infecções bacterianas em cavidades mucosas profundas”, escreveram os pesquisadores no artigo científico.
Robôs guiados por eletromagnetismo
As análises envolveram a injeção de enxames de microrrobôs na cavidade sinusal por meio de um cateter inserido pela narina. Revestidos com átomos de cobre, os dispositivos são guiados até o local da infecção por meio de campos eletromagnéticos.
Uma vez em contato com os microrganismos, os robôs são ativados por luz visível conduzida por uma fibra óptica, também inserida no corpo como parte do tratamento. Essa ativação gera calor e reações químicas capazes de penetrar o pus e atravessar o biofilme bacteriano — uma estrutura protetora formada pelas bactérias.
A exposição à luz também induz os microrrobôs a liberar espécies reativas de oxigênio, compostos que destroem as bactérias de forma eficaz.
“Validamos a eficácia desta plataforma microrrobótica integrada assistida por fibra óptica em um modelo in vivo de sinusite em coelhos, demonstrando seu potencial para terapias de infecções clinicamente relevantes”, destacaram os autores.
Potencial para uso em humanos
Além dos testes com animais, os pesquisadores também criaram um modelo que simula como a técnica poderá ser aplicada em seres humanos. Nesse cenário, os enxames de robôs seriam implantados em ambiente cirúrgico, permitindo que os médicos acompanhassem sua ação por meio de exames de imagem, como raio X.
A expectativa dos especialistas é que a plataforma terapêutica possa, no futuro, ser usada no combate a infecções bacterianas em outras regiões do corpo, como trato respiratório, estômago, intestino, bexiga e uretra.
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VÍDEO | MICRORROBÔ CAPAZ DE LIMPAR COÁGULOS SANGUÍNEOS NO CÉREBRO
Fonte: Science Robotics; The Guardian