IBM cria "língua artificial" capaz de distinguir e classificar líquidos

Por Patrícia Gnipper | 05 de Julho de 2019 às 23h20
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Já temos por aí inteligências artificiais criando, sozinhas, novas combinações de sabores, mas ainda não temos um sistema capaz de provar tais sabores como se fossem um ser humano. Quer dizer, não tínhamos, pois a IBM acaba de divulgar a criação de uma "língua artificial" chamada Hypertaste capaz de distinguir e classificar sabores em líquidos.

A criação foi detalhada em um artigo científico chamado A portable potentiometric electronic tongue leveraging smartphone and cloud platforms, que descreve a inovação como tendo o grande objetivo de conseguir dar suas impressões de bebidas e outros líquidos que podem não ser adequados para a ingestão humana.

O sistema pode ser usado na cadeia de fornecimento de alimentos e bebidas, conferindo a segurança de ingestão desses produtos graças à inteligência artificial nessa jogada. Como os experimentos atualmente conduzidos com esta finalidade são bastante caros, fornecedores que agem de má fé podem inserir produtos de baixa qualidade na cadeia de suprimentos, enquanto falsificadores podem adulterar um produto real adicionando compostos químicos prejudiciais para o consumo humano.

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Para Patrick Ruch, membro da equipe de pesquisa da IBM, “há muitas substâncias que gostaríamos de 'provar' sem realmente colocá-las em nossa boca; considere uma agência governamental interessada em verificar a qualidade da água em um lago ou rio em um local remoto, um fabricante que queira verificar a origem das matérias-primas ou um produtor de alimentos tentando identificar vinhos falsificados ou uísques… [o problema é que] sensores feitos pelo homem têm lutado para abordar a facilidade com que nossas papilas gustativas reconhecem substâncias”.

Ruch também observa que o Hypertaste analisa compostos com muitas moléculas diferentes com uma abordagem combinatória, indo além das máquinas de "degustação" existentes hoje, que tendem a se especializar em apenas uma molécula por vez. Os sensores individuais do Hypertaste respondem simultaneamente a diferentes substâncias químicas, o que torna mais difícil enganar o sistema.

Toda a análise feita pelo Hypertaste é armazenada em um servidor e, na nuvem, um modelo de aprendizado de máquina devidamente treinado compara as impressões do sistema com um banco de dados de líquidos conhecidos. Assim, o modelo descobre quais líquidos seriam quimicamente mais parecidos, relatando os resultados em um aplicativo que pode ser instalado em um smartphone. De acordo com a IBM, todo esse processo leva menos de um minuto para acontecer.

No futuro, o Hypertaste poderá ser capaz de analisar líquidos mais complexos, como a urina humana, por exemplo. Isso poderá servir, ainda, como um auxiliar na avaliação da saúde do indivíduo, bem como poderá permitir a realização de ensaios clínicos com mais precisão, correlacionando respostas metabólicas aos tratamentos.

“O espectro de possíveis aplicações é vasto e estimula a imaginação. Estamos confiantes que, por meio de aperfeiçoamentos futuros, o uso de sensores químicos portáteis assistidos por IA atenderá às necessidades de muitas indústrias quando se trata da impressão digital rápida e móvel de líquidos complexos", conclui Ruch.

Fonte: IBM

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