Governo libera R$ 75 mi para continuidade de acelerador de partículas brasileiro

Por Wagner Wakka | 05 de Julho de 2019 às 11h12
MCTIC

Um dos maiores centros de pesquisa avançada do país deve continuar recebendo investimentos neste ano. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) assinou um documento liberando R$ 75 milhões para o projeto Sirius, ponto de pesquisas em experimentações de linhas de luz com aceleração de partículas. O montante será destinado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), responsável pelo projeto.

O Sirius é considerado o mais complexo espaço de pesquisas com fonte de luz síncrotron no mundo. Localizado em Campinas, o espaço é do tamanho de um campo de futebol e voltado para pesquisas variadas com luz. 

"Esses recursos são fundamentais para que possamos concluir as primeiras linhas de luz, que é onde os experimentos serão feitos de fato”, afirma Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM. “A perspectiva é de que possamos fazer as encomendas necessárias para a entrega das primeiras estações experimentais para testes, visando a abertura das linhas para a comunidade científica e tecnológica no início de 2020”.

Atualmente, o espaço conta com 250 colaboradores para utilização de equipamentos para pesquisas, além de outros profissionais da indústria que também trabalham no espaço. A expectativa é de que, até o final de 2020, haja pelo menos 13 linhas de luz voltadas para realização de diferentes experimentos no mesmo período. 

“O Sirius é um projeto estruturante para o país”, ressalta o diretor.

“Ele gera ciência de ponta, estimula a inovação e o desenvolvimento tecnológico e envolve recursos humanos altamente qualificados em seu projeto e operação. Tem, ainda, um papel na internacionalização da ciência brasileira, além de refletir positivamente na autoestima dos brasileiros, pois com ele percebemos a nossa capacidade de construir projetos dessa magnitude”.

O grupo já realizou, em março deste ano, a primeira volta completa de elétrons em mais um acelerador do Sirius: o Booster. O complexo possui três deles, sendo que somente dois foram testados até agora. O desafio é ajustar corretamente a trajetória dos elétrons, que têm de percorrer o caminho do acelerador com uma precisão micrométrica. 

Os três aceleradores possuem especificações diferentes.

“Um primeiro acelerador linear (Linac) produz e acelera os elétrons, que são conduzidos ao acelerador injetor (Booster), e no qual permanecem até que alcancem os níveis de energia necessários para gerar a luz síncrotron. Só então o feixe é depositado no acelerador principal, onde os elétrons circulam por longos períodos, dando cerca de 600 mil voltas por segundo”, explica nota do MCTIC. 

Segundo Antônio José, os testes com o Booster estão em fase final, alcançando carga de 3 bilhões de elétrons-volta. A injeção no acelerador principal deve começar a ser testada em agosto deste ano. 

Somente após isso é que pesquisadores vão começar a montagem das linhas de luz para pesquisas. 

Fonte: MCTIC, CNPEM

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