Descobertas novidades sobre a evolução humana em fóssil de 10 milhões de anos

Descobertas novidades sobre a evolução humana em fóssil de 10 milhões de anos

Por Rafael Arbulu | 02 de Outubro de 2019 às 23h10
(Imagem: John Siddick, via Eurekalert)

Uma pélvis surpreendentemente bem preservada da espécie “Rudapithecus” foi encontrada em uma pequena cidade na Europa Central e acabou dando a uma equipe de cientistas novas informações sobre como os humanos evoluíram para uma postura bípede — basicamente, o osso em questão nos trouxe pistas de como fizemos a transição de movimentos em quatro para dois membros.

O estudo com as conclusões foi autorado pela professora Carol Ward, especialista em Ciências Patológicas e Anatômicas da Universidade do Missouri, após descoberta da pélvis pelo professor de Antropologia da Universidade de Toronto, David Begun. Segundo os especialistas, o Rudapithecus — originalmente descoberto na cidade de Rudabánya, Hungria — era um hominídeo que comumente transicionava a sua locomoção entre o apoio em quatro membros (similar ao que praticam, hoje, gorilas, chimpanzés e outros primatas modernos), mas também era capaz de se manter ereto apenas nas duas pernas traseiras, tal qual o homem.

Essa capacidade de alterar a própria postura sempre foi um mistério para os especialistas, que apenas com a descoberta dessa pélvis é que foram capazes de determinar uma das possíveis razões para isso: ao analisar o osso com mais profundidade, a professora Ward concluiu que o Rudapithecus possuía as costas mais flexíveis.

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A pélvis descoberta na Europa Central, registrada por especialistas da Universidade do Missouri: osso indica que ancestral humano tinha capacidades diferenciadas de locomoção (Imagem: Divulgação/Universidade do Missouri)

"O Rudapithecus tinha uma aparência bem primata e se movia por meio de galhos e troncos, tal qual os exemplares atuais da espécie — mantendo o corpo erguido e escalando árvores com seus braços”, disse Ward. “Entretanto, ele era diferente dos primatas modernos no sentido de ter uma região lombar mais flexível, o que significa que, quando o Rudapithecus descia ao chão, é provável que ele tivesse a capacidade de ficar ereto, tal qual nós humanos fazemos. Essa evidência dá suporte à ideia de que, ao invés de perguntar por que ancestrais humanos se mantinham em pé, deveríamos estar perguntando por que nossos ancestrais se ficavam ‘de quatro’ em primeiro lugar”.

Embora tenha sido descoberto no continente Europeu, análises de composição óssea revelaram que o Rudapithecus está mais próximo de nossos ancestrais africanos. Segundo os especialistas, exemplares da região traziam uma região lombar mais rígida, daí a necessidade física de caminhar utilizando os quatro membros. Sempre houve uma dificuldade em identificar qual foi o ponto de evolução que levou o homem a desenvolver costas flexíveis e, com isso, caminhar em caráter bípede. Ward argumenta que, se a evolução humana deriva de hominídeos como o Rudapithecus, porém, essa mudança pode ser sido bem mais fluída e direta.

Ilustração mostrando um Rudapithecus, segundo a compreensão de especialistas (Imagem: John Siddick, via Eurekalert)

“Nós fomos capazes de determinar que o Rudapithecus tinha um torso mais flexível que os primatas modernos africanos de hoje porque ele era bem menor — no máximo, ele tinha o tamanho de um cachorro de médio porte. Isso é um detalhe importante pois nossas descobertas dão suporte à ideias sugeridas por outras evidências de que os ancestrais humanos não eram formados tal qual os primatas africanos modernos”, disse Ward.

A equipe de especialistas utilizou técnicas de modelagem em 3D para compensar pelas partes do fóssil pélvico que estavam faltando, comparando os modelos com animais modernos. Segundo Ward, o próximo passo será a análise em 3D de outras partes fossilizadas do Rudapithecus, para trazer um entendimento mais completo sobre como ele se movia, trazendo mais informações sobre primatas ancestrais e humanos.

Fonte: Phys.org

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