Publicidade

Cratera de 2 bilhões de anos pode revelar mistérios sobre era glacial da Terra

Por  | 

Compartilhe:
Shutterstock
Shutterstock

Cientistas descobriram que uma cratera de impacto encontrada na Austrália é a mais antiga do mundo - e essa descoberta pode explicar o fim de uma das eras glaciais pela qual o nosso planeta passou. De acordo com o estudo, o impacto aconteceu na região de Yarrabubba, na Austrália Ocidental, há cerca de 2,229 bilhões de anos. Isso corresponde a metade da idade da Terra.

Continua após a publicidade

Inicialmente encontrada por outra equipe de cientistas liderada por Francis Macdonald em 2003, essa cratera ainda tinha idade desconhecida. Estava evidente que era muito antiga, mas qual a idade exata? Neste novo estudo, os cientistas parecem ter encontrado a resposta. Os pesquisadores da Universidade Curtin, na Austrália, fizeram uma análise de minerais encontrados nas rochas do local.

A Cratera Yarrabubba tem 70 km de largura e é 200 milhões de anos mais antiga que a recordista anterior, a Vredefort Dome, na África do Sul. O impacto de Yarrabubba parece ter ocorrido exatamente quando nosso planeta começou a sair de um período em que grande parte de sua superfície estava coberta de gelo. E de acordo com os autores da pesquisa, isso pode não ser apenas uma coincidência.

Nicholas Timms, co-autor do estudo publicado na última quarta-feira (22) na revista Nature, disse que os depósitos glaciais estão ausentes no registro das rochas por 400 milhões de anos após o impacto. "Essa reviravolta do destino sugere que o grande impacto de meteorito pode ter influenciado o clima global".

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Crateras como esta são raras, porque muitas delas foram enterradas por placas tectônicas e outras foram desgastadas pelo vento e pela água ao longo das eras. De acordo com o autor principal do estudo, Timmons Erickson, "Yarrabubba nem parece mais uma cratera". A idade dela também é intrigante, porque muita coisa acontecia há 2,229 bilhões de anos. Por exemplo, a fotossíntese das cianobactérias havia começado a enviar grandes quantidades de oxigênio na atmosfera da Terra, enquanto o planeta saia de uma de suas grandes fases de congelamento intenso.

Para verificar se esses dois eventos poderiam estar conectados, Erickson e seus colegas realizaram simulações em computador. De acordo com os modelos dos pesquisadores, o impacto de um objeto de 7 km de largura em uma determinada paisagem da Austrália Ocidental - coberta por uma camada de gelo que varia de 2 a 5 km de espessura - vaporizaria instantaneamente entre 95 a 240 km cúbicos de gelo. Além disso, derreteria totalmente até 5.400 km cúbicos.

Como resultado, 90 trilhões a 200 trilhões de km de vapor de água foram lançados na atmosfera superior da Terra imediatamente após o impacto de Yarrabubba, causando um grande efeito estufa. No entanto, ainda não é possível saber ao certo como esse vapor de água na atmosfera afetaria o clima, de acordo com Erickson e seus colegas. É que os cientistas ainda não sabem o suficiente sobre a estrutura e composição atmosférica da Terra antiga, por isso não há informações necessárias para criar modelos computacionais desse fenômeno.

Ainda assim, há alguns palpites. Os autores escreveram que "considerando que a atmosfera da Terra no momento do impacto continha apenas uma fração do nível atual de oxigênio, existe a possibilidade de que os efeitos climáticos do vapor de H2O liberados instantaneamente na atmosfera através de um impacto do tamanho da Yarrabubba possam ter sido significativos em todo o mundo".

Crateras mais antigas podem ajudar a esclarecer essas questões, e deve haver outras delas por aí. Evidências disso não faltam - pesquisadores já descobriram pedaços de asteroides e cometas ainda mais antigos que a Yarrabubba, com até 3,4 bilhões de anos, mas as crateras causadas por esses impactos ainda não foram identificadas.

Fonte: Space.com