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Cratera de 2 bilhões de anos pode revelar mistérios sobre era glacial da Terra

Por| 28 de Janeiro de 2020 às 15h44

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Cientistas descobriram que uma cratera de impacto encontrada na Austrália é a mais antiga do mundo - e essa descoberta pode explicar o fim de uma das eras glaciais pela qual o nosso planeta passou. De acordo com o estudo, o impacto aconteceu na região de Yarrabubba, na Austrália Ocidental, há cerca de 2,229 bilhões de anos. Isso corresponde a metade da idade da Terra.

Inicialmente encontrada por outra equipe de cientistas liderada por Francis Macdonald em 2003, essa cratera ainda tinha idade desconhecida. Estava evidente que era muito antiga, mas qual a idade exata? Neste novo estudo, os cientistas parecem ter encontrado a resposta. Os pesquisadores da Universidade Curtin, na Austrália, fizeram uma análise de minerais encontrados nas rochas do local.

A Cratera Yarrabubba tem 70 km de largura e é 200 milhões de anos mais antiga que a recordista anterior, a Vredefort Dome, na África do Sul. O impacto de Yarrabubba parece ter ocorrido exatamente quando nosso planeta começou a sair de um período em que grande parte de sua superfície estava coberta de gelo. E de acordo com os autores da pesquisa, isso pode não ser apenas uma coincidência.

Nicholas Timms, co-autor do estudo publicado na última quarta-feira (22) na revista Nature, disse que os depósitos glaciais estão ausentes no registro das rochas por 400 milhões de anos após o impacto. "Essa reviravolta do destino sugere que o grande impacto de meteorito pode ter influenciado o clima global".

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Crateras como esta são raras, porque muitas delas foram enterradas por placas tectônicas e outras foram desgastadas pelo vento e pela água ao longo das eras. De acordo com o autor principal do estudo, Timmons Erickson, "Yarrabubba nem parece mais uma cratera". A idade dela também é intrigante, porque muita coisa acontecia há 2,229 bilhões de anos. Por exemplo, a fotossíntese das cianobactérias havia começado a enviar grandes quantidades de oxigênio na atmosfera da Terra, enquanto o planeta saia de uma de suas grandes fases de congelamento intenso.

Para verificar se esses dois eventos poderiam estar conectados, Erickson e seus colegas realizaram simulações em computador. De acordo com os modelos dos pesquisadores, o impacto de um objeto de 7 km de largura em uma determinada paisagem da Austrália Ocidental - coberta por uma camada de gelo que varia de 2 a 5 km de espessura - vaporizaria instantaneamente entre 95 a 240 km cúbicos de gelo. Além disso, derreteria totalmente até 5.400 km cúbicos.

Como resultado, 90 trilhões a 200 trilhões de km de vapor de água foram lançados na atmosfera superior da Terra imediatamente após o impacto de Yarrabubba, causando um grande efeito estufa. No entanto, ainda não é possível saber ao certo como esse vapor de água na atmosfera afetaria o clima, de acordo com Erickson e seus colegas. É que os cientistas ainda não sabem o suficiente sobre a estrutura e composição atmosférica da Terra antiga, por isso não há informações necessárias para criar modelos computacionais desse fenômeno.

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Ainda assim, há alguns palpites. Os autores escreveram que "considerando que a atmosfera da Terra no momento do impacto continha apenas uma fração do nível atual de oxigênio, existe a possibilidade de que os efeitos climáticos do vapor de H2O liberados instantaneamente na atmosfera através de um impacto do tamanho da Yarrabubba possam ter sido significativos em todo o mundo".

Crateras mais antigas podem ajudar a esclarecer essas questões, e deve haver outras delas por aí. Evidências disso não faltam - pesquisadores já descobriram pedaços de asteroides e cometas ainda mais antigos que a Yarrabubba, com até 3,4 bilhões de anos, mas as crateras causadas por esses impactos ainda não foram identificadas.

Fonte: Space.com