Cientistas provam que motor de propulsão eletromagnética da NASA funciona

Por Redação | 03.08.2015 às 10:23

O EmDrive, o "motor impossível" da NASA, pode deixar de ser um sonho distante digno de Star Trek e se tornar realidade. Cientistas alemães anunciaram que novos testes apresentaram resultados positivos e a notícia causou alvoroço na comunidade científica.

O EmDrive é um motor de propulsão eletromagnética que funciona dentro no vácuo e não utiliza combustíveis, sendo capaz de proporcionar viagens mais rápidas e reduzir o tempo da viagem à Lua para somente 4 horas, ou permitir uma viagem à Marte em cerca de 70 dias. O motor, inventado pelo cientista britânico Roger Shawyer no início dos anos 2000, converte energia elétrica para impulso liberando micro-ondas dentro de uma câmara fechada, e foi declarado "impossível" por desafiar um dos fundamentos básicos da física - a lei da conservação do momento linear.

Esse princípio diz que, para que algo seja impulsionado, é necessário haver uma força de propulsão em seu sentido oposto – como funcionam os motores movidos a combustíveis fósseis utilizados atualmente.

Roger Shawyer

Roger Shawyer posando ao lado de sua criação (Reprodução: Divulgação)

Alguns anos após sua criação, um grupo de cientistas chineses decidiu desenvolver o seu próprio modelo de motor de propulsão eletromagnética e o motor funcionou, mas a NASA só se convenceu a fazer novos testes após um inventor norte-americano ter conseguido os mesmos resultados da equipe chinesa.

Em maio deste ano, pesquisadores do NASA's Eagleworks Laboratories, liderados por Harold White, confirmaram que o EmDrive poderia funcionar sim, abrindo caminho para que Martin Tajmar, cientista da Dresden University of Technology, na Alemanha, realizasse novos testes e obtivesse sucesso nos primeiros resultados.

EmDrive

EmDrive, o modelo original (Reprodução: Divulgação)

O resultado foi apresentado em um fórum realizado na Flórida no último dia 27 de julho, onde Tajmar informou que, apesar de ainda não saber explicar exatamente como, seu sistema produziu uma quantidade de impulso similar à prevista originalmente por Shawyer. Em outras palavras, o motor funciona e pode revolucionar a viagem espacial. Após o anúncio, Shawyer foi aceito pela International Academy of Astronautics (IAA) e teve seu projeto publicado na Acta Astronautica, publicação mensal da academia.

A partir de agora, cabe aos cientistas envolvidos no projeto realizarem novos testes em diferentes condições e ambientes para que seja esclarecido como o sistema funciona de fato, abrindo caminho para a possibilidade de viagens espaciais mais rápidas. Por exemplo, uma viagem à estrela Alpha Centauri, localizada a 4,367 anos-luz de distância da Terra, poderia ser feita em cerca de 100 anos, tempo insignificante se comparado ao de 75 mil anos que seria necessário caso a viagem fosse realizada com as tecnologias atuais.

Aos poucos, estamos "audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve!"

Fonte: ARC, Digital Trends e The Daily Mail