Siga o @canaltech no instagram

Cientista que modificou gene de bebês também pode ter aumentado inteligência

Por Thaís Augusto | 22 de Fevereiro de 2019 às 07h37

Quando o cientista chinês He Jiankui alterou o gene de dois bebês no ano passado, ele alegou que a modificação os tornaria imunes ao vírus HIV, agente causador da AIDS. Agora, estudiosos de mudanças genéticas descobriram que a manipulação de He tem consequências mais amplas.

O gene "editado" foi o CCR5 e está ligado à suscetibilidade ao HIV, mas pesquisas publicadas nesta quinta-feira (21) na revista Cell mostram que a modificação também aumenta a cognição. Foi o que mostraram estudos com camundongos.

O CCR5 também pode facilitar a recuperação de um humano após um derrame e pode estar relacionado com o sucesso acadêmico, de acordo com o MIT Technology Review. Isso significa que os dois primeiros seres humanos com cognição e memória geneticamente melhoradas já podem ter nascido.

Participe do nosso Grupo de Cupons e Descontos no Whatsapp e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

As gêmeas Nana e Lulu são, até onde se sabe, os primeiros humanos geneticamente alterados por pesquisadores

Não há evidências de que essa era a intenção de He ao alterar os genes das gêmeas Nana e Lulu – mas considerando suas metas elevadas para um futuro sem HIV, parece plausível que ele também tenha celebrado descobrir como aumentar a inteligência humana. Além disso, evidências coletadas pelo MIT Technology Review sugerem que o cientista provavelmente sabia sobre o papel que o CCR5 desempenha no cérebro.

"A resposta é provavelmente sim, [a modificação de gene] afetou seus cérebros", disse ao MIT Tech o neurocientista da Universidade da Califórnia, Alcino Silva. "A interpretação mais simples é que essas mutações provavelmente terão um impacto na função cognitiva das gêmeas".

Silva ainda ressalta que He não deveria ter conduzido a pesquisa porque não há como prever os efeitos da alteração de gene na vida das crianças.

"Poderia ser concebível que no futuro poderíamos aumentar o QI médio da população? Eu não seria um cientista se dissesse que não", disse Silva. "O trabalho em ratos demonstra que a resposta pode ser sim. Mas os ratos não são pessoas. Nós simplesmente não sabemos quais serão as consequências. Ainda não estamos prontos para isso". 

Fonte: Futurism

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.