A vida imita a ficção | Cientistas conseguem transferir cérebro para computador

Por Jessica Pinheiro | 09 de Março de 2018 às 09h39
photo_camera Divulgação

Quem quer viver para sempre? A resposta para esta questão pode estar na descoberta que os cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, fizeram recentemente. Eles clonaram o sistema nervoso de um verme e o implantaram em uma espécie de verme robótico, fazendo com que este último se comportasse da mesma forma que o ser vivo costumava agir. Além disso, ainda foram capazes de adicionar novas habilidades ao verme utilizando métodos de psicologia comportamental.

O verme utilizado para o experimento foi o Caenorhabditis elegans, um organismo que apresenta somente 1 milímetro de comprimento e uma rede neural de apenas 300 neurônios. Apesar de seu tamanho e sua simplicidade, a espécie apresenta uma rede neural muito favorável para a ciência. Ele consegue comer bactérias e reagir a certos estímulos externos.

Após clonarem o sistema do Caenorhabditis elegans, ele foi implementado em um computador para depois ser colocado no verme robô, que nem necessitou de programação. Isto significa que o sistema neural do nematoda foi traduzido em códigos de programação e, posteriormente, lhe foi ensinado alguns truques, como equilibrar um polo na ponta da cauda.

Esse comportamento é determinado pelas células nervosas do verme e a força das conexões entre elas. Quando essa rede de reflexos é recriada em um computador, o verme reage exatamente da mesma maneira a uma estimulação virtual – não porque foi programado para executar a ação, mas sim porque essa atitude está implantada em sua rede neural.

Então, tudo o que bastou aos cientistas foi ajustar a força das conexões sinápticas do verme. A sintonização das conexões entre as células nervosas também é característica de qualquer processo de aprendizagem natural.

O verme é o único ser vivo cujo sistema neural conseguiu ser completamente analisado e desenhado como um diagrama de circuito ou reproduzido por software de computador – isto é, a atividade neural do Caenorhabditis elegans foi simulada por um programa.

Os testes foram feitos com o intuito de tentar entender e recriar as atividades cerebrais dos seres vivos. E, ainda que o caminho seja longo e sejam necessários incontáveis outros testes e avanços, a ação abre caminhos para temas que precedem tabus da sociedade, dentre eles a vida eterna. Talvez a ficção cientifica esteja mais próxima da realidade do que se imaginava. Ou seria o contrário?

Fonte: Phys.Org, History

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