Pesquisadores descobriram como apagar as memórias que nos causam medo

Por Redação | 26.09.2012 às 12:00

Todo mundo tem algo que deseja apagar de vez da memória, seja uma lembrança triste ou algo que lhe traga más recordações e, consequentemente, medo. Por exemplo, muitas pessoas lembram-se de ter sido mordidas por um cão, e isso desencadeou um medo que faz com que ela passe longe desse tipo de animal. Segundo cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, isso pode chegar ao fim.

Os pesquisadores desenvolveram uma técnica para apagar lembranças emocionais recém-formadas do cérebro humano. Calma, eles não estão criando nenhum Neuralyzer, como aquele que os agentes do M.I.B. usam para apagar a memórias das pessoas. E também não é nenhum produto a base de vodka.

Segundo o estudo divulgado pela Universidade, os cientistas suecos descobriram que a chave está na maneira como a memória é formada em nosso cérebro. Quando uma pessoa aprende algo, uma memória de curto prazo é criada com a ajuda de um processo de consolidação - baseado na formação de proteínas.

Medo

Essa primeira memória é algo mais frágil, tanto que ao lembrarmos de algo, a memória se torna instável por um tempo e depois é reestabilizada com a ajuda de um segundo processo de consolidação. Em outras palavras, pode-se dizer que não estamos lembrando o que aconteceu de verdade, mas sim o que nós lembramos da última vez em que pensamos sobre o que aconteceu.

É por isso que eles dizem que é possível apagar apenas memórias recentes, que ainda não foram realmente consolidadas. Ao interromper o processo de reconsolidação que vem depois da lembrança, é possível afetar o conteúdo da memória.

Para provar sua teoria, os pesquisadores mostraram aos participantes do estudo uma imagem neutra, e, simultaneamente, deram um choque elétrico nos participantes. Assim, a imagem passou a provocar um certo medo no indivíduo, o que significa que uma memória tinha sido formada. Para ativar novamente essa lembrança do medo, a imagem foi mostrada novamente, mas agora sem nenhum choque no participante.

O resultado foi que, para a parte do grupo que visualizou depois a mesma imagem repetidas vezes - sem o choque - o processo de reconsolidação da memória do medo foi interrompido. Para complementar o estudo, os cientistas realizaram exames de ressonância magnética a fim de mostrar que não sobraram vestígios na parte do cérebro que normalmente armazena as memórias de medo.

"Estas descobertas podem ser um avanço em pesquisas sobre a memória e o medo. Em última análise, as novas descobertas podem levar a melhores métodos de tratamento para as milhões de pessoas no mundo que sofrem de problemas de ansiedade, como fobias, stress pós-traumático e ataques de pânico", diz Thomas Agren, doutorando do Departamento de Psicologia da Universidade de Uppsala.