Biohackers conseguem implantar visão noturna em olho humano

Por Redação | 26 de Março de 2015 às 14h08

Visão noturna é um recurso bastante utilizado em dispositivos de monitoramento, facilmente encontrado em estabelecimentos comerciais e até mesmo em residências. Um grupo de biohackers americanos afirma que conseguiu uma forma de incorporar no olho humano a capacidade de enxergar no escuro. De início isso pode parecer assustador, visto que provavelmente irá interferir na visão natural dos olhos.

O grupo Science for the Masses utilizou uma espécie de substância análoga à clorofila conhecida como Chlorin e6 (ou Ce6), encontrada em peixes que vivem em profundidades abissais, onde a incidência de luz solar é quase nula. Essa substância já é utilizada em seres humanos para tratamento de cegueira noturna, a dificuldade que algumas pessoas apresentam em enxergar locais com luminosidade reduzida.

O Ce6 é utilizado de forma intravenosa desde a década de 60 para o tratamento de diferentes tipos de câncer. Alguns estudos científicos já injetaram o Ce6 em roedores para obter esclarecimentos sobre os efeitos na visão desses animais.

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Gabriel Lucina, um dos pesquisadores do grupo americano, serviu de cobaia para o teste. Ele recebeu uma quantia de Ce6 no seu saco conjuntival (localizado na parte inferior dos olhos), e dali a substância atingiu a retina. Após uma hora, Lucina começou a sentir os efeitos. Em um ambiente escuro, o pesquisador inicialmente começou a reconhecer formas e símbolos que estavam a 10 metros de distância. Com o passar do tempo ele foi enxergando pessoas que estavam a uma distância de 50 metros, entre algumas árvores.

Um grupo de controle (que não recebeu o Ce6) conseguiu identificar cerca de 33% dos objetos colocados no escuro. Já Lucina conseguiu descobrir todos os objetos. A visão do pesquisador voltou ao normal gradativamente em 20 dias, aparentemente sem efeitos colaterais mais graves.

É claro que o experimento precisa ser feito mais vezes e com testes mais rigorosos. No entanto, já é possível afirmar que ele funcionou conforme o esperado. "Mostramos que isso pode ser feito. Se conseguimos fazer isso em nossa garagem, outras pessoas também podem fazer", afirma Jeffrey Tibbets, diretor médico do grupo.

Com o experimento já podemos pensar em como ele poderá ser utilizado no futuro, caso seja 100% aprovado. O uso militar seria o principal destino para tal projeto, visto que não faz muito sentido que ele esteja disponível para pessoas comuns.

Com informações do Science for the Masses

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