93% dos jovens não conhecem o trabalho de cientistas brasileiros

Por Daniele Cavalcante | 08 de Agosto de 2019 às 07h25

Embora a produção científica no Brasil tenha reconhecimento mundial, grande parte dos brasileiros é completamente ignorante quanto à ciência produzida por aqui. De acordo com um estudo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), 93% dos jovens em nosso país não conhecem quem são os cientistas nacionais, e nem os nossos institutos de pesquisa. Foram entrevistados 2.206 jovens de todo o país, entre 15 e 24 anos.

Nossa produção científica não é pequena e não deveria ser menosprezada. Ela praticamente dobrou do início até o fim da primeira década do século XXI, e continua aumentando. De acordo com uma pesquisa da Clarivate Analytics, o Brasil publicou mais de 250 mil artigos na base de dados Web of Science, em todas as áreas do conhecimento, e isso só no período de 2011 a 2016. Esses números nos colocam na 13º posição na produção científica global, entre mais de 190 países.

Só pra se ter uma ideia, em 2016 uma pesquisadora brasileira, Cecilia Turchi, especialista em doenças infecciosas da Fiocruz de Pernambuco, foi uma das selecionadas pela renomada revista Nature para fazer parte da seleta lista dos 10 cientistas mais importantes do ano. 

De acordo com o International Life Sciences Institute (ILSI) Brasil, há “um árduo trabalho a ser feito em comunicar ciência de qualidade e defender o apoio e a produção científica em nosso país". O ILSI também tem grande preocupação com a fonte de informações que os jovens acessam, já que o principal contato com a ciência hoje em dia são as redes sociais, onde normalmente as fontes não são lá muito confiáveis. Entre os entrevistados, 68% consideram difícil distinguir uma notícia científica verdadeira de uma falsa.

Flavia Goldfinger, Diretora Executiva do ILSI Brasil, aponta para a necessidade de falar sobre nossa ciência aos jovens com base em fontes confiáveis. “É importante que toda notícia nas áreas de saúde e meio ambiente, por exemplo, tenham como base dados científicos de fontes confiáveis. A ciência brasileira é referência no mundo, mas, muitas vezes, não é utilizada em território nacional como fonte de informação", afirmou. 

Além disso, Flávia destaca que é preciso transmitir o conhecimento científico “de forma clara e objetiva”, e “fazer com que conceitos científicos específicos sejam compreendidos por todos".

O ILSI Brasil tem promovido ações para contribuir na disseminação do conhecimento científico no Brasil. Por exemplo, já estão abertas as inscrições para a primeira edição do Prêmio ILSI Brasil, que deverá nos revelar novos cientistas brasileiros com até 20 anos de graduação.

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