8 mitos e verdades sobre produtos supostamente criados pela NASA

Por Redação | 24.02.2016 às 09:19

Ao longo do último meio século, a NASA sempre foi cercada de muito glamour, mistério e muitos mitos. Não apenas por conta das teorias envolvendo alienígenas e experimentos secretos, mas também por conta daquilo que a agência espacial norte-americana é capaz de fazer. Sempre que pensamos em algo tecnológico ou apenas estranho, seu nome é citado.

Também pudera. Com um orçamento anual de US$ 17 bilhões, a agência tem verba tanto para dar continuidade aos seus programas espaciais quanto para investir em pesquisas e no desenvolvimento de novas tecnologias. É claro que, em um primeiro momento, essas criações são pensadas para facilitar a vida de astronautas e como otimizar o trabalho fora da Terra, mas inevitavelmente acabam caindo em nossas vidas. Exemplo disso é o sistema de resfriamento usado nas missões lunares na década de 70, que logo passou a ser usado para ajudar pessoas vítimas de queimadura.

Por essas e outras coisas, vários mitos foram criados em torno da agência espacial. É comum as pessoas creditaram a ela algumas coisas que nem de perto dessa origem quase espacial. Exemplo disso é o famoso "travesseiro da NASA", que muita gente acredita ter sido usado por astronautas em suas missões fora do planeta.

astronautas NASA

Para acabar com essas confusões, listamos alguns dos mitos e verdades que envolvem essas histórias para mostrar que a agência norte-americana realmente introduziu muitas coisas no nosso dia a dia, mas não tanto quanto muita gente quer acreditar.

Travesseiro da NASA

Nada mais justo do que começar pelos famosos travesseiros que sempre carregam o nome da agência. O curioso é que eles misturam mitos e verdades em sua história, o que ajuda a confundir ainda mais sua origem.

Na verdade, tudo começou quando a NASA encomendou um material que revestisse suas naves para absorver impactos. Foi aí, em 1966, no auge da corrida espacial, que criaram a chamada espuma viscoelástica, um material que se adaptava facilmente a qualquer objeto e que poderia voltar à sua forma original quando removida a pressão. No entanto, na prática, isso nunca chegou a ser usado pela agência.

Travesseiro da NASA

O problema era o cheiro da tal espuma, considerado muito forte. Por conta disso, o material foi descartado das missões espaciais, mas continuou a ser usado em outras áreas. Foi somente nos anos 80, quando resolveram o problema do fedor e a sua produção foi barateada que a espuma viscoelástica passou a ser usada em travesseiros.

Assim, a história de que astronautas dormiam em travesseiros iguais aos que você tem em casa nada mais é do que um grande mito.

Velcro

Por conta da sua praticidade, muita gente acredita que o Velcro foi criado pela NASA para facilitar a vida dos astronautas na hora de vestirem seus uniformes em gravidade zero. E, de fato, a simplicidade de fixar as roupas realmente foi algo que eles aproveitaram no espaço, mas isso não quer dizer que a "tecnologia" foi criada pela agência.

Velcro

A verdadeira origem do Velcro — que é uma marca, embora a gente tenha se habituado a tratar como se fosse um simples substantivo — é um pouco mais antiga que a NASA e data de 1948, quando o engenheiro suíço Georges de Mestral criou um sistema de fixação inspirado em uma planta, a Arctium, que sempre grudavam na pele do seu cão. Assim, ele analisou a estrutura do vegetal e criou uma versão sintética desses pequenos ganchos, dando origem ao Velcro que conhecemos hoje.

Sucos Tang

Sabe o famoso suco que você encontra até hoje em mercados? Para muita gente, a ideia de transformar o suco em pó em que basta adicionar água é algo que a NASA inventou para melhorar a qualidade de vida de seus astronautas enquanto estão fora da Terra. Assim, para não morrerem de saudade do puro gosto artificial da laranja, a agência teria criado essa maneira simplificada de preparar a bebida.

Só que essa é uma história criada pelos próprios consumidores e não tem qualquer base de realidade. O produto foi criado pelo químico William Mitchell em 1957 e realmente foi enviado para fora do planeta, inclusive nas missões lunares no Projeto Apollo. Porém, a NASA não tem nada a ver com sua origem. Ela apenas pegou uns cartuchinhos no mercado, assim como qualquer um de nós faria.

Fórmula infantil

Ainda falando de alimentos, a fórmula infantil que é usada para alimentar crianças é uma derivação de algo que a NASA criou de verdade. Em parceria com a Marietta Laboratories, a agência desenvolveu uma comida 3-em-1: além de ser fonte de alimento, ela iria oferecer oxigênio para o organismo e servir como uma espécie de ferramenta de descarte. Para isso, eles usariam microalgas como a base da fórmula.

Fórmula infantil

Tudo bem que, na prática, a ideia dessa refeição não funcionou muito bem — quem iria querer comer isso? —, mas a empresa decidiu reaproveitar o conceito e, com algumas alterações, criou o complemento alimentar que a gente conhece.

Aspirador portátil

Quem nunca agradeceu à anônima figura que criou o aspirador de pó portátil, o salvador de toda faxina localizada? Pois você pode acender sua vela para a NASA, porque foi somente graças a ela que você pode limpar sua casa sem carregar grandes equipamentos para isso.

Aspirador

Ainda durante a corrida espacial, quando enviou o homem para a Lua, a agência precisava de um dispositivo capaz de coletar partículas do solo do satélite. E a ideia era fazer algo pequeno para que os astronautas pudessem carregar sem grandes complicações. Nascia assim o conceito do aspirador usado na Terra. Literalmente, de outro mundo.

A câmera de seu smartphone

A gente nem se surpreende mais com as câmeras de smartphones, mas elas já foram novidades há pouco mais de uma década. E, antes mesmo disso, elas foram uma grande invenção da NASA. Sim, as fotos da festa que ficaram ótimas no seu celular só existem graças à agência espacial norte-americana.

Sensor Galaxy S6

Durante os anos 90, a equipe da Jet Propulsion Laboratory procurava um meio de diminuir o tamanho de equipamentos fotográficos para que eles pudessem ser levados em viagens espaciais. Nascia assim a chamada camera-on-a-chip — ou apenas CMOS. Como o próprio nome sugere, era um sensor muito pequeno e capaz de registrar imagens do mesmo modo como uma câmera clássica. E essa ideia evoluiu até chegar às monstruosidades que temos hoje em qualquer aparelho.

Caneta espacial

Muita gente nem ouviu falar dessas canetas, mas elas fizeram relativo sucesso há algumas décadas por terem sido consideradas as únicas canetas usadas por astronautas no espaço. E, de fato, isso aconteceu, ainda que a NASA não estivesse envolvida em sua criação.

Caneta espacial

A verdade é que Paul Fisher, o responsável pela invenção, financiou todo o projeto e só procurou a agência depois que o produto estava pronto. Ainda assim, seu trabalho é digno de nota, pois utiliza cartuchos pressurizados que permitem que a tinta vá até a ponta mesmo em gravidade zero — e, por isso, sua fama espacial. Não que astronautas tenham muito o que assinar em órbita, mas deve ter ajudado com muitas palavras-cruzadas.

Teflon

Outra tecnologia bem comum do nosso cotidiano e que, por ser tão útil, muitos consideram de outro mundo. O teflon usado em panelas para impedir que o alimento grude com a alta temperatura foi, de fato, usado em muitas naves e até nas roupas dos astronautas, mas o produto em si é bem mais antigo que isso.

O teflon foi criado em 1938, muito antes da própria NASA.

Via: Wired, Superinteressante